Editorial Liberdade de escolha

Publicado em: 10/09/2019 03:00 Atualizado em: 10/09/2019 10:12

Dois acontecimentos recentes reafirmaram a robustez do sentimento democrático da sociedade brasileira. Um deles: o decreto que regulamenta a adesão ao Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares. O outro: o vai e vem da censura à obra infantojuvenil Vingadores, exposta na Bienal Internacional de Livros do Rio, encerrada no domingo.

Tema crucial para o Brasil, a educação espera a definição de rumos prometida pelo MEC. O século 21, marcado pelas profundas mudanças decorrentes da inovação, pede currículos e procedimentos modernos, adequados à contemporaneidade. O desafio não constitui exclusividade nacional. O mundo — sobretudo as nações desenvolvidas — busca respostas aptas a fazer a leitura correta do tempo.

Na campanha eleitoral, Jair Bolsonaro exaltou as escolas cívico-militares e criticou as demais escolas públicas. Fixou-se, sobretudo, na segurança e na disciplina. Poderia ter ido além. Os alunos das primeiras têm excelente desempenho nas avaliações a que são submetidos. Daí por que as instituições têm grande procura. Em razão da demanda, selecionam os discentes com rigoroso exame de admissão. Só os melhores entram.

Temia-se, não sem razão, que esse tipo de escola fosse imposto aos 150 mil colégios de ensino básico existentes no país. Não foi o que aconteceu. A portaria do governo prevê adesão voluntária. Espera que, até 2022, 10% dos colégios da rede pública de ensino estejam no esquema da gestão compartilhada. Os demais aguardam iniciativas que os modernizem e os tornem aptos a oferecer ensino de qualidade. Não há necessidade de buscar modelos no exterior. Estados como Ceará e Pernambuco podem inspirar projetos.

O importante é a diversidade de opções. A escolha é dos pais. Com nível de excelência semelhante, eles decidirão em que escola matricularão os filhos. Esse, aliás, foi o recado dado pelos brasileiros na Bienal do Rio. Em manifestações de protestos, crianças, jovens e adultos disseram não à censura. Arbitrar o que é melhor para os filhos é direito dos pais.

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