Diario de Pernambuco
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Opinião
Etnocentrismo político

Otto Manoel Rufino Pereira
Estudante de Direito

Publicado em: 18/09/2019 03:00 Atualizado em: 18/09/2019 08:43

Vivemos em uma realidade onde o século presente vem carregado de paradigmas e debates ideológicos partidários, onde candidatos  aproveitam o cenário polarizado e ferido por políticas anteriores para vomitar seus discursos populistas e assim conseguir capturar essa parcela social irada que busca uma mudança no país, temos por exemplo movimentos como o tea party nos Estados Unidos, e o antipetismo aqui no Brasil, que de certa forma é fonte e caminho para outsiders e potenciais autoritários chegarem ao topo de forma democrática sem uso de violência material.

Cultura, religião, gênero, economia, etnia, hoje nada escapa, tudo é utilizado como base para discurso político, o tópico hipócrita deste debate é que, uma figura que tem como dever lutar por toda uma nação, simplesmente trata a própria por classificação, falas como “a minoria deve se adequar a maioria” são exemplos desta divisão de patentes, não respeitando direitos e a sua própria constituição (Art. 5º),que relata que todos são iguais perante a lei. Outro exemplo de fala etnocêntrica e egoísta da parte de nosso presidente da República foi ao tratar da Ancine, seu discurso e afirmação fala que a própria “não vai admitir produções que vão contra interesses e tradição judaico-cristã”, novamente, querendo colocar sua posição acima dos outros e até da própria lei(referência ao artigo 5º, inciso VI).

É um total e verdadeiro perigo  quando chefes de estado procuram colocar suas vontades, sua cultura, sua religião, seu modo de agir no dia a dia para a sociedade que ali estar, nem todos pensam e agem igual a ele, e nem acreditam no mesmo Deus (ou às vezes não acreditam em nenhum ser divino) igual ao dele, desta diversidade de pensamentos e opiniões é que se faz a democracia (palavra que vem do grego demo, que significa povo, e kratos, que significa poder), sem ela não temos debates, sem ela não temos liberdade de ir e vir ( art. 5º, inciso XV) e nem liberdade de expressão, em um mundo sem democracia não temos uma diversidade cultural, o que vai predominar é um único pensamento, uma única religião, conhecemos esse fenômeno como puro autoritarismo.

Chefes de estados devem zelar a democracia, devem zelar o debate, é trabalho deles cuidar do povo, e temos que entender que o povo não é igual em certos princípios, mas isso não significa que um indivíduo é melhor do que o outro. Democracia sempre, autoritarismo nunca. 

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