Diario de Pernambuco
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Opinião
Dia Mundial da Alfabetização

Ana Maria Castelo Branco
Mestra em Letras pela UFPE, professora e contadora de histórias

Publicado em: 10/09/2019 03:00 Atualizado em: 10/09/2019 10:12

Domingo, 8 de setembro, foi o Dia Mundial da Alfabetização. É preciso lembrar que o Brasil ainda possui 11,3 milhões de analfabetos entre a população de 15 anos em diante, conforme constatou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano de 2018. Importante se faz ressaltar, que o processo da aprendizagem de ler, escrever e comungar das práticas sociais de leitura e escrita (alfabetização/letramento) está diretamente relacionado com o desenvolvimento do país, conforme apontam as pesquisas da área. Assim, quanto mais pessoas analfabetas, menor será o índice de desenvolvimento do nosso país.

Sabe-se que o estímulo para o processo de alfabetização deve acontecer ainda na primeira infância, daí a necessidade de investimentos para a Educação Infantil. Mas, o que temos visto ao longo da história da Educação são as várias políticas públicas descontinuadas na área de Alfabetização de Crianças e da Educação Pública como um todo. Muitos educadores questionam veementemente a falta de formações continuadas na área de alfabetização e letramento. A última formação direcionada aos professores alfabetizadores foi o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), 2013/2017. Desde então, os professores alfabetizadores ficaram por assim dizer, desassistidos quanto à formação continuada presencial que é uma das formas exitosas de lhes colocarem diante de novos conhecimentos e desafios, podendo confrontar sua prática com a teoria, permitindo-lhes novas reflexões acerca de sua prática pedagógica no dia a dia.

Alfabetizar nos dias atuais requer conhecimento atualizado dos professores sobre a dinâmica social na qual a criança está inserida, do mundo infantil e seus aspectos peculiares e dos métodos de alfabetização para poder adequar o mais apropriado à aprendizagem da criança. Sabemos que quase todos os métodos de alfabetização são eficazes e dão resultados, porém não com todas as crianças, daí a necessidade da atualização do professor para auxiliar as crianças a serem alfabetizadas na idade certa.

A Base Nacional Comum Curricular - (BNCC) prescreve que a alfabetização se dê até o 2º ano do Ensino Fundamental. Entenda-se que caso os estudantes não se apropriem do sistema de escrita alfabética e nem comunguem de práticas sociais de leitura e escrita por meio da diversidade de gêneros textuais no processo de alfabetização no primeiro ciclo, dificilmente eles irão ler fluentemente e escrever ortograficamente adequado nos anos subsequentes de estudos, podendo incorrer no analfabetismo funcional,  ou seja, a pessoa demonstra  incapacidade de compreender textos simples, embora os leia.

Em 2017, foi instituído pelo governo federal, o “Programa Mais Alfabetização” com o objetivo de fortalecer e apoiar as unidades escolares no processo de alfabetização para fins de leitura, escrita e matemática dos estudantes do 1º e 2º ano do Ensino Fundamental. Um programa que envolve em seu sistema de monitoramento secretários de educação, gestores escolares, coordenadores pedagógicos, professores e assistentes voluntários de alfabetização no processo de aprendizagem da criança.

Em julho do corrente ano, o governo de Pernambuco lançou o “Programa Criança Alfabetizada”, que garantirá a todos os meninos e meninas das escolas públicas estarem alfabetizados até os sete anos de idade. O programa envolve formação para estudantes e professores, distribuição de material didático, premiações e aumento de recursos para todos os municípios pernambucanos. Esperamos que esse novo programa envolva a todos os gestores escolares, coordenadores pedagógicos e professores, promovendo bons resultados e contribuindo sobremaneira para alavancar o índice de desenvolvimento educacional em nosso estado.

É importante ressaltar no Dia Mundial da Alfabetização, que o estado de Pernambuco conta com dois programas de alfabetização: um a nível federal (Mais Alfabetização) e outro a nível estadual (Criança Alfabetizada). Que com esses programas, as nossas crianças possam ser alfabetizadas, adquiram fluência em leitura e escrita e possam participar da sociedade atuando de forma crítica, cumprindo deveres e exigindo direitos.

Deve-se deixar registrado o desejo de que todas as crianças sejam alfabetizadas na idade certa para que em breve, o índice de pessoas analfabetas diminua consideravelmente, e que o professor alfabetizador seja valorizado em sua missão, pois todos nós sabemos que ensinar a ler e a escrever nos dias de hoje é uma tarefa que envolve muitos obstáculos e desafios. 

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