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Opinião
CVV: uma entidade de prevenção do suicídio

Bartyra Soares
Membro da Academia Pernambucana de Letras

Publicado em: 04/09/2019 03:00 Atualizado em: 04/09/2019 10:35

“Você ligou para o CVV que oferece apoio emocional gratuito. Por favor, aguarde alguns instantes para conversar com um dos nossos voluntários. Sua chamada é a 14... Por favor, aguarde ser atendido”. A escala decrescente prossegue, enquanto algumas notas musicais suaves vão intercalando o aviso até chegar o momento de quem liga para o Centro de Valorização da Vida ser ouvido.

Denominado de Setembro Amarelo, este mês leva os veículos de comunicação, instituições públicas e privadas em todo o país, a divulgarem com mais assiduidade a prevenção do suicídio. Esta forma de retirar-se da vida vem ascendendo numa escala ininterrupta em todo o mundo e o Brasil não foge à regra.

Atualmente, ninguém fica sem o apoio do CVV. Basta que a pessoa ligue para o número padrão telefônico 188. Isso ocorre graças a um acordo técnico firmado entre o Ministério da Saúde (MS) com essa entidade de prevenção do suicídio de abrangência nacional. Esse fato trouxe uma profunda transformação ao sistema de funcionamento dessa instituição quase sexagenária, no Recife aproximando-se de atingir a marca dos 42 anos.

Quantas vidas são salvas devido a essa iniciativa? Certamente muito mais do que antes da implantação do 188. Agora, milhares de brasileiros são ouvidos independentemente de onde estejam e de onde se encontrem os voluntários disponíveis para ouvi-los. Não importa em qual cidade caia a chamada de quem liga, de quem a recebe. O benefício percorre um caminho de mão dupla: o plantonista não sente o vazio de estar num Posto CVV silencioso nem o outro teme que sua ligação caia no vazio com drástica repercussão para o seu estado emocional.

Os comportamentos relacionados à ideação suicida, à tentativa de suicídio e ao suicídio consumado trazem consequências familiares e sociais graves, tornando-se tema de relevância nas discussões sobre saúde pública. Afigura-se como um fenômeno de alta importância epidemiológica em todas as culturas.

Assim, é imperiosa a necessidade de programas de prevenção do ato suicida com o objetivo de reduzir as altas taxas. Entre outras causas, a dificuldade das estratégias preventivas reside na etiologia multifatorial do comportamento de quem opta pela desistência da vida. Aspectos biológicos, psicológicos, sociológicos interagem de forma complexa.

Sabe-se que mais da metade das pessoas que se suicidam nunca consultaram um profissional de saúde mental. Evidencie-se que o trabalho deve extrapolar os limites da Psiquiatria e da Psicologia, capacitando enfermeiros, assistentes sociais, educadores, agentes comunitários, entre outros para identificarem e encaminharem aos órgãos apropriados pessoas potencialmente suicidas.

Cabe à ciência psicológica e ao estudo científico do comportamento suicida oferecer contribuições e apoio nos mais diversos níveis a instituições que desenvolvem ações preventivas. Os voluntários ceveveanos são submetidos a cursos de capacitação desenvolvidos pela própria entidade.

Oferecendo várias alternativas de escuta, o CVV através de contatos com os indivíduos em sofrimento emocional, realiza atendimentos pelo telefone, apoios presenciais e recursos de comunicação da Internet. O plantonista mantém o sigilo, não julga, não condena. Apenas se dispõe a apoiar, confiando que quem procura os serviços da instituição, ao dele despedir-se, esteja em condições de valorizar a vida e de prosseguir sejam quais forem os seus problemas e dificuldades.

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