Diario de Pernambuco
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Opinião
Cultura popular mantém tradições nordestinas

Giovanni Mastroianni
Advogado, administrador e jornalista

Publicado em: 09/09/2019 03:00 Atualizado em: 09/09/2019 09:11

Longe de me considerar um folclorista e de querer me igualar a Luiz da Câmara Cascudo e a Olímpio Bonald Neto, autênticos especialistas em demologia, confesso ser,  apenas, um apaixonado pelo folclore brasileiro, em especial pelo nordestino, pleno em riquezas, através dos seus conhecimentos de tradições e crenças populares, expressas em contos, provérbios, lendas, danças, canções e até na culinária. Aqui mesmo, neste importante meio de comunicação, desfilei crônicas abordando bacamarteiros, rendeiras, tocadores de pífano, ex-votos, ceramistas, cordelistas, violeiros repentistas, aboiadores e tantos outros temas, ricamente enquadrados entre os folclóricos da região.

Nesta ocasião, abordo, primeiramente, o  frevo, que, segundo pesquisas musicais, surgiu por volta de 1910 e que faz parte do riquíssimo repertório musical de Pernambuco, fazendo parte de uma das mais típicas manifestações da região nordestina. De acordo com os estudiosos, essa música tão popular, principalmente no período carnavalesco, teve suas origens na mistura da marcha, maxixe, polca e dobrado, enquanto que seus passos de dança inspiraram-se na velha capoeira, uma das principais expressões da  luta regional baiana, que, por sua vez, pode ter sido originária das artes angolenses.

Quem não já ouviu falar no bumba meu boi ou em boi-bumbá, que o “Aurélio” descreve, em outras palavras, como sendo um bailado popular, cômico-dramático, realizado em cortejo público, com alguns personagens humanos (cita alguns), animais (boi, cavalo-marinho, ema e cobra), cujas aventuras, que denomina de peripécias, resultam na morte e ressurreição  do boi. Música, teatro e dança se reúnem para formar a apresentação de um pastoril, ato de origem portuguesa, que se realiza no período natalino e se prolonga até o Dia de Reis, constituindo-se em uma tradição religiosa e, também, profana, de Pernambuco e Estados vizinhos: Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. Os principais integrantes do pastoril religioso são os cordões azul e encarnado, que disputam os gostos dos espectadores, além da Diana, símbolo de paz e  harmonia, que se veste metade na cor azul, metade na encarnada. Outros personagens que integram o grupo são  a cigana, o anjo e a borboleta. Nada cândidas ou angelicais são as integrantes do pastoril profano, constituído por figuras antissociais, sem o mínimo de moral, excedendo-se em palavras de baixo-calão e que, muitas vezes, chegam ao cúmulo de expor suas partes mais íntimas, num contraste bem escabroso com os aplaudidos e puros pastoris religiosos, geralmente promovidos por integrantes das igrejas católicas.

Folclóricos também são os fantoches e as marionetas, bonecos animados por pessoas, mas que pouco se diferenciam, exceto na forma de manipulação. Enquanto os fantoches ganham seus movimentos, internamente, através das mãos, a marioneta, na maioria das vezes, é suspensa e ganha seus movimentos por meio de fios quase invisíveis, presos nos dedos de um manipulador, que permanece oculto, durante a exibição. Aqui no Nordeste há um tipo diferenciado de fantoche, que ganha o título especial de mamulengo, verbete que, possivelmente, originou-se de mão mole. Seus manipuladores usam vozes engraçadas e dão a devida movimentação aos bonecos exibidos ao público.

São registros simples dessa cultura popular que mantêm vivas as tradições nordestinas.

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