Bonito final

José Luiz Delgado
Professor de Direito da UFPE

Publicado em: 12/09/2019 03:00 Atualizado em: 12/09/2019 10:29

Pode não ter sido de propósito, mas o resultado não poderia ser melhor. Com essa intenção ou não, o fato é que, neste ano e até o pouco tempo que resta para o fim do mandato, o reitorado Anísio Brasileiro está promovendo a outorga de vários títulos de professor emérito. Já foram entregues esses reconhecimentos aos professores Silvio Romero Marques e Éfrem Maranhão, do Centro de Saúde, à professora Gabriela Martin Ávila, do Departamento de Arqueologia, e, há pouco, festejando o 11 de agosto, ao professor Sylvio Loreto, da Faculdade de Direito. Ainda serão entregues outros títulos – ao prof. José Lamartine e ao prof. Breno Albuquerque, ambos do Centro de Saúde, o qual, neste assunto, está dando brilhante exemplo universitário: o de reconhecer o mérito e a dedicação de vários dos seus docentes, agora já aposentados.

Cada entrega de um título desses é reconfortante festa do espírito. Bela oportunidade não para cálculos ou maquinações, mas para contemplar itinerários de vidas vividas em dedicação, em criação e transmissão do conhecimento. Na entrega do título ao prof. Sylvio Loreto, foi reconstituído um pouco de sua trajetória, podendo as gerações atuais conhecer algumas de suas lições sempre suaves e das vitórias de administrador sempre diligente, moderado e lúcido. As outras solenidades hão de ter sido também assim: a alegria de lembrar o bem praticado, de rever o esforço, alguma coisa da imensa labuta de que resultou este mundo em que vivemos hoje.

Um abismo separa a grandeza dessas premiações da imbecilidade de um ministro medíocre, como o lamentável sr. Paulo Renato, que achava melhor que os antigos docentes se aposentassem logo. Em muitos professores, quiçá na maioria deles, a docência é uma paixão, um gosto, sua forma de viver – não é uma carreira, mera profissão. E, por isso, muitos ficam em atividade mesmo além do tempo de se poderem aposentar. O que o reitor Anísio Brasileiro está fazendo, neste final de mandato, é o belo reconhecimento dessas competências, e sobretudo dessas dedicações.

O reitor teve ainda a feliz ideia de instituir nova premiação, “técnico emérito”, para louvar, do mesmo modo, excelentes servidores, à semelhança dos docentes. Pois, se no serviço público existem elementos desidiosos e desinteressados, existem também funcionários – e não são tão poucos assim – realmente dedicados à coisa pública. Não sei se o reitor terá tempo de entregar as primeiras premiações. Mas, desde logo, apresento dois nomes de admiráveis servidoras da Faculdade de Direito, que merecem todas as homenagens: a bibliotecária Leonice Ferreira e a funcionária Mani Galindo, que foi excepcional chefe da Escolaridade e, depois, exemplar secretária. (Quanto a esta última, soube agora que o sempre atuante prof. Francisco Barros, com apoio maciço dos demais professores, está propondo formalmente esse título).

Não é que esses docentes ou esses técnicos precisem de elogios. A sociedade é que precisa elogiá-los. A sociedade é muito melhor quando sabe reconhecer e exaltar os bons. É para seu próprio bem, seu próprio fortalecimento institucional, que a Universidade deve reconhecer os grandes valores que a vieram construindo ao longo do tempo. Não imagino melhor maneira pela qual o reitor Anísio – sempre tão atento aos grandes interesses da Universidade – poderia concluir o seu mandato. 

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