Balada literária recompõe teoria de Paulo Freire

Raimundo Carrero
Jornalista e membro da Academia Pernambucana de Letras
raimundocarrero@gmail.com

Publicado em: 23/09/2019 08:58 Atualizado em:

Ainda jovem, bem jovem. o escritor Marcelino Freire revoluciona a educação brasileira, além de sua obra questionadora e vigorosa, com a Balada Literária entrando pelo Brasil desde São Paulo até o Piauí, passando pela Bahia, colocando em debate o método educacional de Paulo Freire, o também pernambucano, que enriqueceu a alfabetização em vários níveis.

Mesmo assim é preciso destacar que a Balada começou, faz anos, sob o crivo de muita crítica, sobretudo de conservadores e atrasados  que viam na Balada um desvio da literatura com festas e fantasias. Acusavam Marcelino de levar a literatura para os bares.

Neste sentido, porém, o escritor pernambucano realizava uma reforma educacional sem métodos ou diretrizes graves e severas. A literatura deixava a sala de aula para se instalar em bares e clubes, além de  palcos e auditórios.

As obras das mais diversas matizes são debatidos pelos autores e leitores, além de professores, de quebra chamando a atenção para outros autores e para outras obras. Tudo sem os rigores de uma sala de aula tradicional e sem a exigência de exames. Os debates, regados a cerveja e uísque, samba, frevo e roque, não precisam ser sistemáticos ou eruditos. O que importa é o bem-estar de todos. A princípio instalado apenas em São Paulo, expandindo-se depois para outras capitais.

Ao homenagear escritores, a Balada destaca a obra para reflexão e análise em todo país, sobretudo na academia onde algumas obras até dormem. Alguns esquecido pelo tempo e pelo silêncio, como, aliás, é da natureza literária em nosso país.

Desta vez, o homenageado é  Paulo Freire, o grande reformador da alfabetização no Brasil, com forte repercussão em países latinos e africanos. Chamou-se no segundo momento de Pedagogia do Oprimido, com seguidores destemidos e corajosos.

Antes que se tornasse esquecido, o método está sendo destacado em boa hora pela iniciativa de Marcelino, sobretudo num momento histórico em que se questiona a educação por uma área conservadora sem nenhuma experiência neste campo.

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