A sucessão na empresa familiar

Cláudio Sá Leitão
CEO da Sá Leitão Auditores e Consultores e Conselheiro pelo IBGC

Publicado em: 12/09/2019 03:00 Atualizado em:

As empresas familiares são instituições históricas bastante antigas e as suas origens estão fortemente ligadas ao surgimento da economia. Como o próprio nome diz, as empresas familiares são aquelas em que a maioria dos votos, nas deliberações sociais, pertencem aos sócios integrantes da família controladora. No Brasil, as empresas familiares continuam sendo um dos pilares de nossa economia. A partir do momento em que um casal constitui uma família e nasce uma criança, cria-se a figura do(a) herdeiro(a) e do(a) sucessor(a). Também, é muito antigo o desejo do fundador/controlador em transmitir o seu empreendimento para as gerações seguintes. Nesse momento, é preciso pensar no futuro de longo prazo da empresa, sendo de suma importância realizar a sucessão familiar. Um dos problemas da sucessão é que dificilmente uma empresa cresce em ritmo igual ao da família controladora.  Sendo a sucessão uma tendência natural da empresa, a sua transição deve ser feita com cautela, de forma justa, inteligente e racional, para não entregar a gestão a profissionais ou a herdeiros despreparados e desqualificados. Mas o modelo de passagem a ser adotado, pelo controlador do negócio ao seu sucessor, continua sendo um grande destaque no mundo empresarial contemporâneo.  Para otimizar esse processo e com maior agilidade e economia é vital realizar um planejamento de sucessão que minimiza a pulverização do patrimônio e a desunião da família. É do conhecimento de todos que ao juntar o tripé, dinheiro, poder e emoção, é necessário ter muito cuidado para não gerar desentendimentos. Por isso, esses atritos são melhores administrados quando há um planejamento de sucessão, de forma a garantir o sucesso na condução do patrimônio familiar. O planejamento sucessório não significa retirar o controlador da empresa, até porque ele será o mentor intelectual na condução e no acompanhamento do processo, a fim de facilitar a sucessão, de modo que as mudanças não tragam impactos negativos no período de transição. Esse processo deve ser realizado por partes, evitando tensões interpessoais. Muitas dificuldades podem surgir durante a sucessão familiar por muitos fatores, desde os relacionamentos entre os familiares e até o momento da geração de conflitos de interesses. Essas situações podem colocar o futuro da empresa em risco.  A falta de um planejamento societário (sem a preparação do sucessor), o nepotismo (indicação de funções importantes da empresa para familiares despreparados), e atitudes tomadas pela emoção, por membros da família, pode comprometer o desempenho de uma empresa familiar, independente do seu porte. Essa situação, aliada a condição desfavorável da atual economia brasileira, diante de um cenário político e tributário complexo e instável, compromete a performance e competitividade de qualquer empresa familiar. Por isso, a sucessão familiar é a garantia do desenvolvimento sustentável da empresa, quando planejada com muita antecedência, de forma a permitir a continuidade do empreendimento do controlador nas gestões futuras. 

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