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Opinião
Editorial Uma feliz coincidência

Publicado em: 02/08/2019 03:00 Atualizado em: 05/08/2019 10:24

Após uma sequência de indicadores econômicos negativos das últimas semanas, foram dados os primeiros sinais de que a economia, finalmente, pode entrar num ciclo virtuoso. Houve recuo na taxa de desemprego, além da queda dos juros para o menor patamar da série histórica iniciada em 1996. Mais: com a inflação sob controle, o Banco Central já indicou que a Selic pode cair, novamente, nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), o que, certamente, estimulará a retomada da confiança dos investidores do setor produtivo, incentivará o consumo das famílias e aumentará a oferta de vagas no mercado de trabalho.

Para que a retomada econômica se dê de forma vigorosa — o país não suporta mais continuar com a economia patinando —, outras medidas devem ser adotadas com celeridade. Com a boa-nova da diminuição da taxa de juros e da retração do desemprego, faz-se necessária a imediata aprovação da reforma da Previdência em segundo turno na Câmara dos Deputados — o recesso do Poder Legislativo termina semana que vem — e no Senado. Em seguida, o Parlamento não pode postergar os debates em torno da reforma do sistema tributário brasileiro, considerado um dos mais complicados do mundo. Espera-se que no segundo semestre essas duas questões já estejam resolvidas.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram recuo de 12,7% para 12% na taxa de desemprego no segundo trimestre deste ano, se comparado com o período entre janeiro a março passados. Um milhão e meio de pessoas voltaram a trabalhar, em que pese que 60% desse contingente seja de maneira informal. Mas outra notícia positiva é que a indústria, setor que mais contrata com carteira assinada, criou 319 mil vagas entre o primeiro e o segundo trimestres.

Na avaliação dos economistas, a reação no setor industrial vem em boa hora — isso mesmo com a queda do desempenho da indústria em 0,6% em junho, pelo segundo mês consecutivo. Pela primeira vez, desde a última recessão, as contratações com carteira assinada se destacam e, historicamente, a retomada do emprego na produção industrial é forte indicativo de fim de crises. O aumento de postos de trabalho no mercado formal se deu de forma mais acentuada em São Paulo e Minas Gerais — o último enfrentado graves problemas na área de mineração, depois das tragédias provocadas pelo rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho.

Feliz coincidência a divulgação da queda do desemprego e a decisão do Copom de cortar os juros, ainda que as taxas para os consumidores e para as empresas continuem elevadíssimas. Isso porque podem indicar o início de uma retomada consistente da economia. Para os especialistas, a geração de empregos só não foi maior porque aumentou a procura por postos de trabalho, outro bom sinal. E o corte da taxa de juros pode estimular, ainda mais, as contratações no segundo semestre, que sempre crescem por causa do incremento das vendas de fim de ano. Essa é a esperança da população, cansada de ficar em intermináveis filas em busca de uma colocação no mercado. Somente com o pleno emprego, aumento da renda e novos investimentos o Brasil poderá voltar aos trilhos do desenvolvimento.

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