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Opinião
Queiram ou não queiram os juízes

Luzilá G. Ferreira
Doutora em Letras pela Universidade de Paris VII e membro da Academia Pernambucana de Letras
opiniao.pe@diariodepernambuco.com.br

Publicado em: 27/08/2019 03:00 Atualizado em: 27/08/2019 09:33

“Diversas coisas se alinham na memória numa prateleira com o rótulo: Recife.” No poema intitulado Coisas de cabeceira, Recife, João Cabral de Melo Neto escreve esses versos e afirma que a memória recorda coisas “densas, recortadas, bem legíveis, em suas formas simples.” Substituindo a palavra Recife por Pernambuco, até o leitor menos informado de imediato mergulha nessas coisas densas que formaram nosso passado e fizeram de nós pioneiros na construção do Brasil. Pois queiram ou não queiram alguns historiadores, o Brasil nasceu aqui, em Pernambuco, e não com a primeira missa na baía chamada Cabrália, em homenagem a quem nós sabemos. De fato só quando Duarte Coelho construiu seu castelo nos altos de Olinda, pacificou (ou dominou) os caetés, se iniciou a  partilha das terras com doações que se estenderam até os sertões, encorajando a criação de engenhos e fazendas ocupando  aquelas desertas regiões “vastas e assustadoras”de que falaria mais tarde Frei Martin de Nantes, em seu relatório aos superiores na França. Aqui pois, os primeiros engenhos, as primeiras propriedades com casa-grande e senzalas de que fala nosso sempre mestre Gilberto Freyre, aqui os primeiros núcleos de colonização  a partir da  criação de gado. Daqui as primeiras reações patrióticas contra o estrangeiro invasor, os primeiros gritos de independência, as primeiras chamadas revoluções libertárias. Que pouco a pouco nos moldaram e  deram ao pernambucano aquele “pé atrás insubserviente de quem já foi mais” de que fala o mesmo João Cabral. Tudo isto posto, como é bom conversar sobre essas coisas de que a gente gosta, com quem  gosta dessas coisas. Escrevo isso pra falar de uma longa e prazerosa conversa que tive outro dia com Miguel Meira de Vasconcelos. Pras poucas pessoas que não o conhecem, lembro: Miguel é o gerente do Centro de Estudos de História Municipal (CEHM), apaixonado por nossa história e memória, responsável atual pela publicação de uma coleção que reúne feitos, dados, informações, estudos diversos de economia, sociologia, genealogias relativas a municípios de nosso estado. Um trabalho monumental que ao longo de tantos anos, e patrocinado pelo governo do estado de Pernambuco  (Secretaria de Planejamento, Condepe  e Companhia Editora de Pernambuco – Cepe) publicou nossa memória, divulgou a vida de nossos municípios, pequenas cidades do interior, algumas das quais a gente nem se lembrava, mas onde pulsa a alma pernambucana, nosso dia a dia, através de sérios estudos resultantes de pesquisas acadêmicas ou relatos do coração, da petite histoire, do cotidiano dessas cidades, acontecimentos e vultos importantes ou fatos corriqueiros acontecidos com a gente que nos formou, construiu nosso passado e ainda vibra no presente. Com autores da melhor cepa pernambucana, e só pra citar alguns, como Nelson Barbalho, Costa Porto, Luis Wilson, José Aragão, Adalberto da Silva Rego,Alfredo Vieira,Luiz Nascimento, Yoni Sampaio, gente que reúne à reflexão científica o saber popular, divulga a riqueza  do folclores, dos ditos, do cordel, que nos ajudam a ler o que somos e o que fomos. Obrigada a essa gente que nos  orgulha, obrigada a Miguel Meira de Vasconcelos,  por ser mais um guardião dessas riquezas pernambucanas.

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