Prevenção do câncer de intestino

Maurilio Toscano de Lucena
Coloproctologista, integra a comissão organizadora do 14º Gastrorecife

Publicado em: 15/08/2019 03:00 Atualizado em: 15/08/2019 11:10

O câncer é considerado um dos maiores problemas de saúde pública em todo o mundo, apresentando aumento de 20% na última década. No Brasil, de acordo com dados do INCA (MS/Instituto Nacional de Câncer), no ano passado ocorreram 600 mil novos casos de câncer, sendo que o câncer de intestino ocupou o 3º e o 4º lugares na lista dos que apresentaram maior crescimento entre as mulheres e os homens, respectivamente.

O câncer do intestino compreende ou tumores malignos localizados no intestino grosso e no reto (parte final do tubo digestivo), que evoluem, na grande maioria das vezes, a partir de pequenos tumores benignos chamados pólipos. Os pólipos quando diagnosticados a tempo, através da colonoscopia, exame feito pela introdução de uma pequena câmara acoplada à extremidade de um tubo flexível, podem ser removidos e, assim, impedir que cresçam e se transformem, anos mais tarde, no câncer de intestino.

O problema é quando os pólipos se tornam muito grandes para serem removidos pela colonoscopia ou quando o exame do pólipo retirado, feito através da microscopia, já demonstra se tratar de um câncer. Nesses casos, o tratamento deverá ser realizado através da cirurgia, com retirada do pedaço do intestino onde está localizado o tumor, junto com os gânglios linfáticos (pequenas estruturas que fazem parte da defesa do organismo e que podem conter células do tumor) próximos à região. Os melhores resultados, com maiores chances de cura, são obtidos nos casos em que o câncer se restringe ao intestino, ou seja, sem invasão para outros órgãos vizinhos ou à distância, as chamadas metástases.

Nos últimos anos, com o progresso das técnicas cirúrgicas, a cirurgia do câncer de intestino tem sido realizada de uma forma bem menos agressiva do que era feito no passado, a chamada cirurgia minimamente invasiva, que será um dos temas principais abordados na 14ª edição do já tradicional Gastrorecife, congresso que ocorrerá no Mar Hotel, em Boa Viagem, a partir de hoje, com a participação de vários especialistas de renome nacional. Abordaremos também a cirurgia robótica, que se constitui numa opção do tratamento cirúrgico do câncer de intestino, já disponível em alguns hospitais do Recife, com benefícios na recuperação do paciente e na própria realização da operação pelo cirurgião.

Mas será que podemos prevenir ou pelo menos diminuir o risco do surgimento do câncer de intestino? A resposta é sim, podemos prevenir, pelo menos na maioria dos casos, o aparecimento deste tumor ou, pelo menos, diagnosticá-lo numa fase inicial com possibilidades de cura através do exame feito pela colonoscopia, como já dito antes. A colonoscopia deverá ser solicitada por qualquer médico para as pessoas acima dos 50 anos, ou, segundo as recomendações mais recentes da Sociedade Americana de Câncer (ACS), para os indivíduos a partir dos 45 anos, considerando o aumento da incidência da doença entre os mais jovens.

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