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Opinião
Editorial O tesouro amazônico

Publicado em: 27/08/2019 03:00 Atualizado em: 27/08/2019 09:35

“As árvores querem ficar quietas, mas o vento não deixa”, dizem os chineses do alto da sabedoria de 5 mil anos. “Água parada apodrece”, afirmam os povos mais simples, de forma menos poética, mas capaz de traduzir a mesma ideia. Ambos os provérbios ressaltam a importância do movimento. A mudança impede a estagnação e, em consequência, permite que ares novos circulem em ambiente às vezes tóxico.

É o que aconteceu com as queimadas na floresta amazônica. Elas não são novidade. Ocorrem em período de estiagem e se agravam à medida que a seca se prolonga como a deste ano. Também não são exclusividade brasileira ou sul-americana. Portugal, Grécia, Sibéria, Califórnia, Rússia, Estados Unidos e países da África viveram recentemente a tragédia das chamas quase incontroláveis.

A Amazônia chama mais a atenção pela importância ímpar, incomparável a qualquer bioma mundial. A floresta, durante muito tempo, recebeu a alcunha de pulmão do mundo. Errado. O oxigênio por ela produzido é por ela mesma consumido. O paraíso verde que ocupa mais da metade do território brasileiro ganha relevo internacional por duas razões. Uma delas: a biodiversidade. São mais de 13 mil espécies de plantas, a maior parte ainda não catalogada. A outra: a manutenção do clima.

Nos bastidores do reino vegetal que se espraia pelo norte do Brasil e pelas nações vizinhas se impede o aquecimento global. As árvores retêm dióxido de carbono, o principal gás de efeito estufa. Com as queimadas, libera-se o CO2 e se acelera o desequilíbrio do clima. No caso, tamanho é documento. São milhões de toneladas de gás que, além de comprometer a qualidade do ar nas cidades, elevam a temperatura média do planeta — como se o aparelho de ar-condicionado responsável pelo frescor da Terra se rompesse e jogasse países e pessoas à própria sorte.

A agropecuária também pagaria preço alto. Não em razão de possível boicote internacional, mas em decorrência de alterações no regime de chuvas. As árvores suam vapor de água. Trata-se da evapotranspiração. São gotículas microscópicas que saturam as nuvens. Mais conhecidas por rios voadores, elas saem da floresta e viram chuva em outras partes do país. É a água que irriga as lavouras, enche os reservatórios das hidrelétricas e as estações de abastecimento das cidades.

O Brasil é dono da maior parte desse patrimônio. Não só. O país possui 12% das reservas de água doce do mundo — mais que todo o continente europeu ou africano, que detêm 7% e 10% respectivamente. O patrimônio natural requer cuidado. Fez bem o governo em acionar as Forças Armadas para debelar o fogo. Fez bem em oferecer ajuda aos estados que enfrentam o desafio de combater incêndios em seu território. Fez bem em aceitar a oferta de Israel e em cobrar o desbloqueio de ajuda de emergência de 20 milhões de euros para a Amazônia. Passada a crise, deve ir além — conjugar o verbo prevenir em vez de remediar.

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