O Brasil carece de um presidente - Manifesto

Movimento Ética e Democracia

Publicado em: 02/08/2019 03:00 Atualizado em: 05/08/2019 15:31

O Presidente Jair Bolsonaro está demonstrando, nestes sete meses de governo, total incompetência e despreparo para o cargo, em uma nação grande, complexa e com graves problemas econômicos e sociais. Escancara desconhecimento da responsabilidade do cargo que lhe foi confiado pelos brasileiros, agindo e falando como chefe de torcida de uma minoria de fanáticos seguidores, inclusive desrespeitando aqueles que lhe deram o voto e não pertencem a tal minoria. Com talento especial para envenenar a política, Bolsonaro se revela líder de uma facção ideológica, provocando dissenso e discórdia, e fomentando o ódio. Nada a ver com um chefe de Estado que mira o dever de empenho em negociação política para construção de convergências em torno de medidas pró-desenvolvimento do país. Ao contrário, aposta no conflito, com pronunciamentos arrogantes, agressivos e desrespeitosos, ultrapassando todos os limites da decência e do respeito humano, agora agredindo a memória do pai do presidente da OAB - Ordem dos Advogados do Brasil, militante morto pela repressão da ditadura militar. Excetuada a área econômica que, independentemente e apesar dele, tem avançado em reformas e medidas para destravar a economia brasileira, o governo soa como completo desmantelo.

São sete meses de empenho em desmonte da política ambiental, desqualificando competentes instituições de monitoramento; anuncia-se expansão do garimpo em terras indígenas demarcadas, além da própria revisão da demarcação. Em tão pouco tempo, o governo está desmoralizando o Itamarati e a política externa brasileira, marcada por independência e capacidade negociadora. Vergonhosa submissão aos Estados Unidos, e grotesco nepotismo via nomeação do filho para a embaixada brasileira em Washington. O Brasil é exposto ao ridículo, com negação de mudanças climáticas e afirmação preconceituosa, absurda, de que se trata de uma “invenção do marxismo cultural”. O acordo do MERCOSUL com a União Europeia, que parecia positiva reorientação de política externa, está ameaçado por posições do presidente nas questões ambiental e indígena. Enquanto o presidente despeja verborragia em questões de costumes, carece totalmente de uma política educacional, fundamental para o desenvolvimento nacional e o enfrentamento das desigualdades sociais; trata o tema com truculência e intolerância ideológica.

Diante de tal descalabro, o MOVIMENTO ÉTICA e DEMOCRACIA – formado por profissionais liberais de diversas categorias e empresários – vem, de público, declarar repulsa às declarações e medidas do presidente da República, que agridem o bom senso e a racionalidade, ameaçam a imagem externa e o futuro do Brasil, em flagrante desrespeito à história e às instituições brasileiras.

1. Exigimos a definição de uma política educacional capaz de construir um pacto nacional pelo desenvolvimento das capacidades humanas.
 
2. Rejeitamos o desmonte da política ambiental brasileira e o ridículo da negação das mudanças climáticas, e exigimos o cumprimento das metas brasileiras no Acordo do Clima.

3. Repudiamos a desmoralização do Itamarati, com submissão da política externa e o grosseiro nepotismo da nomeação do deputado Eduardo Bolsonaro para a embaixada brasileira em Washington.
 
4. Rejeitamos a proposta de exploração de garimpo nas terras indígenas e exigimos respeito e proteção às nações indígenas.

5. Refutamos a flexibilização da posse e, principalmente, do porte de arma de fogo em um país marcado por graves tensões, presença crescente do crime organizado e elevada taxa de homicídios.

6. Condenamos declarações e posições do presidente que agridem instituições e desrespeitam os direitos humanos e os direitos civis.
 
7. Refutamos com veemência e indignação as declarações desrespeitosas e grosseiras do presidente sobre o desaparecimento do militante político Fernando Santa Cruz durante a ditadura; mancham a história e desrespeitam sentimentos do seu filho e atual presidente da OAB, Ordem dos Advogados do Brasil.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.