Diario de Pernambuco
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Opinião
Nova vertente do Patrimônio Cultural Intangível

Marcus Prado
Jornalista
opiniao.pe@diariodepernambuco.com.br

Publicado em: 27/08/2019 03:00 Atualizado em: 27/08/2019 09:29

Nesta hora em que se discute, nas muitas esferas de preservação do patrimônio histórico nacional, o patrimônio cultural como um conceito aberto e dinâmico, os intangíveis e suas rápidas transformações, com seus modelos que se multiplicam globalmente, voltados para o preservar e o transmitir, vejo como elogiável a iniciativa do governo de Pernambuco, através da Secretaria Estadual de Cultura e Fundarpe, de manter uma ação cultural, cada ano enriquecida de mais adesões: um calendário anual dedicado ao tema. São discutidos na capital e no interior valores e significados dos nossos bens e práticas culturais, a fruição do patrimônio que deve ser partilhado por uma pluralidade de pessoas, a plena utilização de seu potencial inventivo. Refiro-me à Semana do Patrimônio Cultural, na sua 12ª edição, cuidadosamente organizada por Marcelo Canuto, presidente da Fundarpe, Célia Campos e Renata Echeverria.  Uma Semana que, na verdade, dura  quase um mês. Temos em 2019 uma participação expressiva, com 30 municípios formando e mobilizando novos públicos. “É uma grande vitória e mostra o alcance de nossas políticas de preservação”, disse o secretário de Cultura Gilberto Freyre Neto, na cerimônia de abertura.  

Falando sobre “Futuros Possíveis: o Patrimônio Imaterial de Pernambuco”, o acadêmico da ABL e escritor, Joaquim de Arruda Falcão, depois de alongar-se sobre a história recente da preservação do legado histórico e cultural de Pernambuco, numa perspectiva diacrônica, fechou a sua conferência sugerindo a criação, pioneiramente, em nosso estado, de uma nova vertente de proteção cultural, uma honraria, a de Patrimônio Imaterial a ser conferida, também, aos grandes clássicos de todas as épocas do gênio criador do pensar e do fazer intelectual pernambucanos. Mestre Arruda Falcão concluiu a conferência com a indicação de Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, um clássico de perene atualidade, e Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto. Engenheiro de formação, o poeta encaixava palavras como um pedreiro assenta tijolos e sonhos. Abriu-se no Recife uma nova vertente, um novo conceito de Patrimônio Intangível. Dou meu apoio à ideia de Arruda Falcão, convencido de que a sua proposta propiciará novos ingredientes de pesquisas, leituras e debates sobre obras germinais que, no passado não distante, foram e continuam sendo, hoje e no futuro, alicerces da nossa cultura e do que tivemos de superlativamente grandioso e belo.

Eu incluiria na lista inaugural de Joaquim Falcão: Tempo dos Flamengos, de José Antônio Gonsalves de Mello; o célebre capítulo Massangana, de Minha Formação, de Joaquim Nabuco; Dom João VI no Brasil, de Oliveira Lima; Vou-me embora pra Pasárgada, de Manuel Bandeira; As Elegias, de Mauro Mota; O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna; A Solidão e sua Porta, de Carlos Pena Filho; Trem de Alagoas, de Ascenso Ferreira; Nove Novena, de Osman Lins; Toda a Poesia, de Joaquim Cardozo, o conjunto de obras filosóficas de Evaldo Coutinho; O Tambor Cósmico, de César Leal; O Emissário do diabo, de Gilvan Lemos; Os caminhos da solidão, de Hermilo Borba Filho; Antologia Poética, de Alberto da Cunha Melo; Arruar, de Mário Sette; A Emparedada da Rua Nova, de Carneiro Vilela; Toda a Poesia, de Tereza Tenório; Maria Betânia, de Capiba; Voltei, Recife, de Luiz Bandeira. Hino da Pitombeiras dos Quatro Cantos (Olinda), de Alex Caldas; Hino do Clube Elefante (Olinda), de Clídio Nigro e Clovis Vieira; Monólogo ao Pé do Ouvido, de Chico Science.

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