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Opinião
Editorial Mais médicos e mais saúde

Publicado em: 03/08/2019 03:00 Atualizado em: 05/08/2019 10:21

Populações que vivem no interior, desprovidas de serviços essenciais, principalmente no Norte e no Nordeste, terão prioridade no Médicos pelo Brasil — uma versão mais detalhada do então Mais Médicos, que trouxe ao país, em 2016, especialistas cubanos. Lançado pelo presidente Jair Bolsonaro, o programa, além de mais estruturado, oferece salários mais elevados — entre R$ 12 mil e R$ 31 mil — e os profissionais terão carteira assinada, o que lhes garantirá todos os direitos e benefícios previstos na legislação trabalhista.

Das 18 mil vagas a serem preenchidas por meio de concurso, 13 mil serão distribuídas entre os municípios rurais remotos, adjacentes e intermediários, totalizando 3,4 mil cidades, além dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas, ribeirinhos e outras comunidades. A intenção do governo é ampliar o acesso da população interiorana aos serviços de Unidades de Saúde da Família: consultas médicas, exames, vacinas, radiografias e pré-natal para gestantes. Nos últimos sete meses, as áreas hoje prioritárias ficaram desassistidas com o retorno dos cubanos ao país de origem.

Mas não é só no interior do país que a saúde pública exige atenção do governo federal. No meio urbano, sobretudo nas periferias, que abrigam pessoas com menor renda, a situação também é bastante precária. Faltam, igualmente, profissionais dedicados e melhor aparelhamento dos postos, centros e unidades hospitalares. A população se ressente da ausência de leitos, medicamentos e atendimento de qualidade.

As vagas nas unidades de terapia intensiva, sejam para adultos, sejam para recém-nascidos e crianças, são insuficientes. Enormes filas diante dos prontos-socorros mostram a dramática dificuldade daqueles que precisam de atendimento médico-hospitalar com urgência. Os investimentos estão sempre aquém das necessidades, sem contar com negligência na gestão, o que torna o que está ruim muito pior.

O recrudescimento de doenças até então consideradas erradicadas revelou a perda de qualidade das ações preventivas à população, sobretudo no campo da imunização, fortalecidas por campanhas irresponsáveis contra a vacinação. Hoje, o poder público se desdobra para conter o sarampo, a caxumba e o aumento da tuberculose e, a cada verão, segue perdendo a batalha contra o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da chicungunha e da zika.

Os brasileiros, não importa onde estejam vivendo, esperam que o governo realize os investimentos necessários e indispensáveis à universalização de um serviço de saúde de qualidade em todo o território nacional. O Sistema Único de Saúde (SUS) foi uma das grandes vitórias da sociedade, durante a constituinte de 1988. E o povo espera que os objetivos do SUS sejam concretos e com qualidade compatível com o século 21. Não só mais médicos, o Brasil precisa de mais saúde.

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