Diario de Pernambuco
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Opinião
Dia virá, um projeto, e uma grande vitória...

Raimundo Carrero
Jornalista e membro da Academia Pernambucana de Letras

Publicado em: 26/08/2019 03:00 Atualizado em: 26/08/2019 08:53

Dia virá, Geração 65, Piratas...a sequência da grande literatura pernambucana,  mais ainda, da poesia pernambucana...Jaci Bezerra, Alberto da Cunha Melo, Domingos Alexandre, José Luís Melo, José Carlos Targino, facilmente reconhecíveis ...Grandes poetas, dois deles tornados gigantes, os dois primeiros, todos notáveis....

No início apenas um grupo nascido no diretório estudantil do colégio estadual do Jaboatão com ideias políticas na agitação da pré-ditadura aí por 1963 quando se pensava num sonho socialista vindo daí o título do grupo Dia Virá. Um sonho, sim, prática nenhuma. Sobretudo um sonho de poetas, grandes poetas, cheios de entusiasmo e de poesia. Jaboatão fervilhava política, chamada Moscouzinha, de tantos ideólogos batendo nas esquinas.

Um ponto posto em prática: publicar poemas nos dois grandes jornais: Diario de Pernambuco e Jornal do Comercio, um pouco também no Jaboatão Jornal, porta-voz das ansiedades políticas. Jaci Bezerra deu um passo adiante, enviando uma coroa de poetas a César Leal, também poeta e editor literário do Diario de Pernambuco. O projeto político estava lançado e, em seguida, consagrado...

Assim o grupo cresceu enormemente e esqueceu o ideário político, literatura e mais literatura, tudo que se objetivava era o sonho poético. Veio a ditadura e o grupo passou a assimilar outros nomes. Sem política, sem política, a política guardada apernas no sonho.. Os primeiros livros foram aparecendo pela Imprensa Universitária, Lavradouro, de Jaci Bezerra, Círculos Cósmicos, de Alberto Cunha Melo. Novos nomes pululavam em todos os lugares. O professor Tadeu Rocha resolveu reuni-los dando-lhe o nome de Geração. Já não era mais um grupo, era uma geração...a Geração 65. Na visão de César Leal, reunindo empresários, políticos, intelectuais. José Luís Mello, poeta da gema e irmão do prefeito, foi eleito deputado.

Disperso, o grupo Dirá Virá sumiu e a Geração 65 se alargou conforme o conceito de César Leal com  empresários e políticos. Logo depois tornou-se Edições Piratas, agora com ares de marginalidade literária, publicando todas e todos, até Rubem Braga. A novela A Memória Revoltada, de Maximiano Campos, ganhou edição especial, em co-edição com a Editora Civilização Brasileira. Semana passada o grupo fez 40 anos... 

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