Carne bovina: futuro sombrio?

Mauro Ferreira Lima
Professor da UPE

Publicado em: 22/08/2019 03:00 Atualizado em: 22/08/2019 14:01

Em 2018 o Brasil ocupou o segundo lugar na produção mundial de carne bovina, atingindo um total de 10,2 t. Os Estados Unidos ficaram na primeira posição com 12,7 t. No volume total de exportações, as posições se inverteram. O Brasil exportou mais, mas faturou menos, face à desigualdade nos preços do que vendemos. Os Estados Unidos exportando um pouco menos, faturaram mais. Esse quadro tende a ser semelhante neste ano.

Isso não irá se repetir indefinidamente, como veremos adiante. Mudanças profundas estarão acontecendo com o suprimento alimentar da humanidade e a carne bovina tende a ser objeto pontual das drásticas mudanças que já se vislumbram no horizonte do consumo global.

Atualmente o consumo de carne bovina se expande exponencialmente na China.  O crescimento da classe média daquele país, atualmente com 435 milhões de seus 1,35 bilhão de habitantes, representa um desafio para o abastecimento. A mudança nos seus padrões de consumo milenares para outros com características ocidentais, que inclui bastante carne bovina, está representando algo inusitado para o atendimento dessa volumosa demanda interna.

Mas, o problema mais sério a ser enfrentado nos próximos anos, não é apenas este. O que mais preocupa as autoridades mundiais ligadas ao monitoramento do clima mundial, é a difícil conciliação entre a produção de carne bovina no Planeta e as condições gerais do seu quadro climático.

As mais importantes organizações internacionais vinculadas ao tema, já estão abandonando a expressão “mudança climática” e passando a adotar uma outra mais contundente: “emergência climática”! Isto se deve à deterioração constante nos níveis do efeito estufa e a quase certeza de que em 30 anos a Terra estará no mínimo 3 graus mais quente com relação ao ano 1900. As consequências disso serão dramáticas para inúmeras cidades litorâneas do mundo, incluindo o Recife, que está no rol das cidades que poderão ser muito afetadas caso não se contenha este avanço de temperatura.

A pretensão da ONU, através do IPCC-Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas e da COP-Conferência das Partes, seu organismo agregador dos países vinculados à questão do acompanhamento da evolução climática, é situar esta elevação em 2 graus , no máximo, para poder minimamente combater os múltiplos efeitos desastrosos do fenômeno climático, em particular do degelo das geleiras árticas.

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