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Opinião
Alertar é preciso

Roberto Magalhães
Advogado, foi professor da Faculdade de Direito da UFPE e presidente da Comissão de Constituição e Cidadania da Câmara dos Deputados

Publicado em: 24/08/2019 03:00 Atualizado em: 24/08/2019 08:01

O meu candidato à Presidência da República em outubro de 2018 foi, inicialmente, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Mas a contínua fragilização de sua candidatura levou-me, já no primeiro turno, a exercer o voto útil sufragando o nome do candidato Jair Bolsonaro que me parecia ter condições para eleger-se, defendendo um programa liberal e anticorrupção.

Até agora não me arrependi do voto dado. Foi a alternativa para que vitorioso o candidato alterasse os quadros da composição do governo, afastando aqueles que contribuíram para o assalto aos cofres da União Federal e deixaram o país em descalabro, a partir da Petrobras e empresas vinculadas.

O apoio do Governo Bolsonaro à Operação Lava-Jato e ao trabalho anticorrupção, já me satisfaz. Todavia não é apenas isto: Bolsonaro não admitiu a negociação de apoio político pela entrega de ministérios a parlamentares e partidos; pelo contrário, suas escolhas se fizeram sem barganha.

Em entrevista recente à imprensa lembrei que o presidente deu a seus ministros liberdade para escolha de seus auxiliares, desde que honestos e competentes. E fui além, citando ministros que na minha visão têm se distinguido pelo seu trabalho: Paulo Guedes da Economia; Bento Albuquerque das Minas e Energias; Tarcísio Freitas da Infra-Estrutura; deputada Thereza Cristina da Agricultura; Sérgio Moro da Justiça e Segurança e general Augusto Heleno da Segurança Institucional.

Dito isto, acrescento que este trabalho governamental não pode ser perdido por motivos que não deveriam existir. Refiro-me às continuadas declarações do presidente Bolsonaro, não condizentes com a índole e responsabilidades do cargo que exerce, de Chefe de Estado e do Governo, além de Comandante Supremo das Forças Armadas.

Nesse contexto cabe lembrar a fala de Jair Bolsonaro criticando de forma grosseira o candidato peronista da Argentina, o que lhe valeu uma resposta muito dura, contristando aos brasileiros mais ilustres e certamente aos diplomatas.

A senadora Simone Tebet, presidente da Comissão da Constituição e Justiça daquela casa legislativa dirigiu-se ao presidente da República, lembrando-lhe que era preciso calar, em favor dele próprio e do País, assim como cessar a interferência em assuntos de outros Poderes.

Quem duvidar dos riscos que o presidente da República poderá ter pela frente, leia a revista Veja, edição de 14 de agosto deste ano, a entrevista longa do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, que declara ter realizado mais de 80 conversas com membros dos Poderes, industriais e militares para evitar a desestabilização do Governo Bolsonaro.

Também não podem ser esquecidos os problemas da Floresta Amazônica, em especial a questão do desmatamento que deixou mal a imagem do governo perante a Alemanha, Noruega e outros países europeus.

É preciso alertar para a necessidade de maior comedimento nas falas presidenciais, antes que seja tarde!

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