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Opinião
22 de agosto: Dia do Folclore

Giovanni Mastroianni
Advogado, administrador e jornalista

Publicado em: 22/08/2019 03:00 Atualizado em: 22/08/2019 14:00

Uma de minhas maiores preocupações, sempre que relato fatos bastante populares do cotidiano nordestino, cujas origens são desconhecidas da maioria das pessoas, é não só historiar suas raízes, como, também, detalhar seus principais acontecimentos, pois de pouca ou nenhuma   importância teriam seus registros sem que estivessem, igualmente, relacionadas suas ilustrações e principais locais de realização desses destacados eventos tão ao gosto do povo.

Como é sobejamente conhecido, o folclore é também considerado como uma festa que reúne tradições, lendas e crenças de uma região e, como todos os grandes festejos, igualmente, tem sua data maior, tendo sido, nacionalmente,  consagrado, no calendário, o dia 22 de agosto, como sua efeméride.

Geralmente, integra o folclore tudo, ou quase tudo consagrado, venerado ou convencionado pela população mais simples. Assim é que da medicina popular  aos cultos religiosos dos povo, passando por lendas, crendices, costumes, canções, histórias, artesanato e linguajar específico de uma região, tudo isso integra  o que  é considerado como popularesco e, em consequência, folclórico.

Escolhi a medicina popular para destaque prioritário, por ser a mais conhecida, pelo menos através das mais famosas receitas das “vovós”, que encontravam sempre uma cura para as suas doenças e as das pessoas que a elas recorriam, apresentando os mesmos males, que ainda hoje são comuns a todos os viventes. Suas “meizinhas”, geralmente soluções de ervas, constituíam a chamada medicina alternativa ou, simplesmente, terapia natural. Nessa medicina complementar estão, também, incluídas terapias tais como a famosa homeopatia, ainda hoje bastante utilizada pelos homeopatas, bem como  aromaterapia, masssoterapia, acupressão, cromoterapia e outras. Como é óbvio, mereceu destaque maior, nesse mister, a utilização da farmacopeia.  Assim, caso o problema fosse a desconfortante hemorroida, com sinais de inchaço das veias, na região retal, quer externa ou internamente, acrescida de dor e coceira, a receita seria a aplicação de uma compressa bem fria ou mesmo pequenos blocos de gelo, envoltos em sacos plásticos, na área afetada, tendo em vista que a frieza aliviava a coceira, baixando a temperatura, contraindo o tumor e aliviando a inflamação causada pelo incômodo tumor.

Para as dores na junta, recomendava-se ferver em um litro de água, um pedaço de gengibre picado e uma porção de arnica. Pela manhã e à noite, colocar, nos locais das dores, compressas bem quentes. Para as artrites, aconselhavam um óleo anti-inflamatório, composto da mistura de 30 mililitros de cada um dos seguintes oleaginosos: menta, louro, sucupira e copaíba, aplicado nos locais sensíveis, após banhos quentes, duas vezes ao dia. Para as desconfortáveis bronquites, que podem ser provenientes da congestão do peito, bastante perigosas, quando não tratadas da forma mais conveniente, após uma consulta médica, era costume doméstico, além de uma boa hidratação, o uso de uma mistura de cúrcuma, álcool medicinal e comprimidos de aspirina esmagados. Aconselhava-se, após 24 horas, esfregar os pés com essa medicação caseira, cobri-los com um pano fino e envolvê-los com um filme de plástico. Correto o uso de meias para protegerem tudo isso, até o dia seguinte, quando os pés deveriam ser lavados com água morna. Pelo menos tal processo deveria ser repetido durante, pelo menos, uma dezena de dias seguidos. Necessário dizer que a cúrcuma é uma especiaria, parecida com o gengibre, de cor amarelada. Pesquisas concluíram seu uso em reumatismos, problemas respiratórios, dores de  joelho e fadiga, entre outros. Mas a medicina popular não para aí. Vai mais além. Indica ou sugere soluções, também, para varizes, tromboses, azias, lábios inchados, manchas na pele, coceiras, unhas encravadas e até pneumonia. Em priscas eras, fiz tratamento de pneumonia com emplastros quentes de mostarda e confesso: fiquei bom.

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