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Opinião
Uma indagação sem resposta

Roberto Magalhães
Exerceu quatro mandatos de deputado federal e foi relator da primeira CPMI (Senado e Câmara) que resultou na cassação de seis deputados e renúncia de outros quatro para evitar o processo

Publicado em: 20/07/2019 03:00 Atualizado em:

A partir do noticiado pela Folha de São Paulo, e consequente divulgação em vários órgãos da imprensa, vem se estendendo há mais de um mês a publicação de supostos textos de comunicações telefônicas entre o procurador federal Deltan Dallagnol e o então juiz em Curitiba, Sergio Moro. As sentenças do mencionado juiz levaram dezenas de corruptos de colarinho branco para a cadeia e o projetaram não apenas no Brasil, mas também no exterior.
Todavia, nenhuma palavra, até agora, se tem ouvido dos órgãos competentes sobre a responsabilidade penal daqueles que hackearam (invadiram) vários telefones celulares, principalmente o do procurador Deltan Dallagnol e o do juiz Sergio Moro.
Recentemente, a revista Veja dedicou longa matéria sobre o mesmo assunto e expressamente afirmou que estará engajada nesta luta pela publicação dos diálogos, declarando acreditar na sua autenticidade, matéria que entendemos ser da competência do Poder Judiciário, na forma da lei, a palavra final.
Intencionalmente, apenas se cogita da hipótese de que alguns diálogos, se verdadeiros, poderiam configurar parcialidade do juiz Sergio Moro nos julgamentos da Lava-Jato por revelar seu interesse na condenação de réus acusados por corrupção. Tanto Moro quanto Dallagnol refutam essa acusação, lembrando que em mais de vinte processos criminais julgados por Moro da citada operação Lava-Jato, os réus foram absolvidos por sentença do mesmo juiz. Além disto, dezenas de sentenças por ele proferidas nesses processos criminais foram confirmadas pelo Tribunal de segunda instância.
Por admitir que pelo tempo decorrido não há registros dos diálogos além dos hackeados através da Intercept Brasil, não se pode afastar a hipótese de manipulação no conteúdo e na forma da gravação hackeada e criminosa.
E mais, a parcialidade de um juiz só poderá ser provada mediante a verificação de injuricidades em sua sentença que deliberadamente tenham prejudicado uma das partes.
Quanto aos criminosos que hackearam os telefones celulares de autoridades públicas, faz-se silêncio. Não se tem conhecimento das investigações e, pelo menos do seu andamento.
É fato notório que a Intercept Brasil se instalou em nosso país e dá integral apoio às publicações contra o então juiz Moro, Dallagnol e outros procuradores da República. A Intercept é subordinada ao jornalista norte americano Gleen Greenwald, que tem sólidas relações com o deputado David Miranda, que por sua vez como suplente do PSOL, assumiu a vaga aberta pela renúncia do então deputado Jean Willys.
Ele, Jean Willys, por sua vez foi reeleito, mas surpreendentemente afastou-se do mandato, e também do Brasil, alegando temer pela sua segurança.
Sem entrar no mérito das responsabilidades jurídicas, que devem caber ao judiciário, fica a indagação: Como andam as investigações sobre o crime da violação dos celulares de várias autoridades públicas? Quem foi ouvido? Certamente não faltam indícios.
O silêncio dá lugar a muitas versões, e a mais comentada, é a de que todo este episódio resultaria da frustração e do ódio daqueles que por longos anos gozaram da impunidade, e agora querem destruir a Lava-Jato.
Aqueles que por muito tempo roubaram o dinheiro público agora pretendem voltar aos tempos de impunidade, em que cadeia era somente para negros e pobres. Crueldade que faz lembrar os tempos da escravidão, vergonha e estigma da nossa História.


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