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Opinião
Editorial Todos a favor da previdência

Publicado em: 08/07/2019 03:00 Atualizado em: 08/07/2019 09:11

A reforma da Previdência atingiu um ponto crucial. Depois de meses de embates acalorados em duas comissões, finalmente o projeto está pronto para ir à votação no plenário da Câmara. Acredita-se que as propostas, cujo objetivo principal é estancar a sangria das contas públicas, já tenham os 308 votos necessários para serem aprovadas em dois turnos. É claro o apoio da maioria dos deputados aos ajustes que resultarão em um regime previdenciário sustentado e mais justo.

Espera-se que, nos próximos e decisivos dias, o presidente da República, que, até agora, não dispendeu o mínimo esforço no sentido de fazer a reforma avançar no Legislativo, encampe o bom trabalho realizado pela Câmara. Para isso, ele precisa abandonar, urgentemente, o discurso populista de proteção a corporações, como a de policiais federais. Não se pode abrir mais nenhuma brecha no projeto que está pronto para ser votado na próxima semana, sob o risco de o ajuste esperado ir pelo ralo.

Ao defender o corporativismo, o presidente da República joga por terra todo o argumento usado pela equipe econômica para convencer a sociedade de que as mudanças no regime previdenciário são vitais. Os técnicos, por sinal, intensificaram a articulação para blindar o projeto de qualquer interferência do Planalto. Agora, acreditam eles, é o momento de unir forças para que a Câmara dê o aval à reforma antes do recesso parlamentar, que começa em 18 de julho, e para que o Senado, onde são necessários 49 votos, no mínimo, liquide a fatura até o fim de setembro.

A aprovação da reforma da Previdência é fundamental para que a confiança volte ao país. Os investidores já deram um sinal de que estão certos da vitória da equipe econômica, com três recordes consecutivos na Bolsa de Valores, mas é essencial que esse sentimento de euforia contamine a economia real. Empresários e consumidores precisam acreditar que o Brasil tem jeito e que vale a pena investir no aumento da produção e da demanda. É esse o único caminho para a retomada do crescimento da atividade e para a criação de empregos. O país ostenta um exército de 13 milhões de pessoas sem trabalho.

Infelizmente, até agora, o ritmo da economia é decepcionante. No primeiro trimestre do ano, o Produto Interno Bruto (PIB) teve queda de 0,2% e há o risco de esse recuo se repetir entre abril e junho, caracterizando recessão técnica. O país, contudo, não aguenta mais um período de contração da atividade. Desde 2014, não se sabe o que é crescimento econômico. Não por acaso, o PIB terá, entre 2011 e 2020, o pior resultado da história. Nem mesmo na chamada década perdida, a dos anos de 1980, a situação foi tão ruim.

Diante desse quadro, resta às autoridades fazerem o necessário para mudar a triste realidade que afeta, sobretudo, os mais pobres, que não veem nenhuma perspectiva de um futuro melhor. Isso vale para o presidente da República e para todos os congressistas, eleitos para trabalhar em prol da maioria e não para defender interesses de grupos específicos que não querem abrir mão de privilégios. A aprovação da reforma da Previdência é o passo mais importante na direção de um Brasil menos desigual.

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