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Opinião
Editorial Sim à Previdência

Publicado em: 11/07/2019 03:00 Atualizado em: 11/07/2019 09:31

A voz do povo é a voz de Deus? No tocante à reforma da Previdência, a resposta é afirmativa. A população defende mudanças que sempre enfrentaram forte resistência de diferentes setores. É natural que assim seja. Em nenhum Estado democrático, ajustes nos direitos sociais são efetuados sem atritos e manifestações às vezes violentas.

No Brasil não é diferente. Desde a década de 1990, o país tenta atualizar as regras da aposentadoria aos imperativos demográficos e econômicos. Sem sucesso. Este ano, porém, a novela mudou o enredo. Pesquisa Datafolha revela números até há pouco inimagináveis. Em três meses — de abril a julho —, registraram-se novas tendências. Aumentou o percentual dos apoiadores da reforma: de 41% a 47%. E se reduziu o dos contrários: de 51% a 44%.

Mesmo no funcionalismo e em segmentos de oposição ao governo Bolsonaro, observou-se guinada de opinião. Trata-se de recado importante do eleitor. Deputados e senadores têm de entendê-lo. Rodrigo Maia, ao abraçar a proposta com determinação e profissionalismo, fez a leitura correta dos anseios nacionais. A Câmara, por ele presidida, tem correspondido aos esforços impostos pela urgência do tema. Espera-se — e tudo indica que assim será — que os senadores completem o trabalho dos deputados sem procrastinações, com a rapidez permitida pelo regimento.

É difícil explicar o porquê da mudança de percepção dos brasileiros. Talvez não seja uma só causa, mas várias que, somadas, tornaram-se capazes de levar adultos e crianças às ruas com a bandeira da reforma. Influiu, com certeza, a divulgação constante da imprensa. Também a campanha de esclarecimento veiculada pelos meios de comunicação de massa. Com linguagem clara e concreta, acessível às pessoas mais simples, derrubaram-se mitos que acirravam os ânimos à simples referência à proposta de emenda à Constituição.

As classes desassistidas, em cujo nome se levantavam muros de interesses escusos, sentem na pele o custo da realidade que se agrava desde 2014. Com 13 milhões de desempregados que, adicionados aos desalentados e subempregados atingem 28 milhões de pessoas, é raro encontrar uma família que não tenha sentido a queda na renda ou não encontre entre os membros alguém que, mesmo qualificado, não consegue colocação no mercado de trabalho.

Filas de centenas de pessoas que varam a noite e viram esquinas na expectativa de um emprego falam mais que milhares de palavras. A pesquisa, a ida às ruas e a pressão via mídias sociais dizem não — não ao desemprego, não à demagogia, não à corrupção. Deixam claro o sim à reforma da Previdência, que aplainará o caminho para a volta da confiança, dos investimentos e dos postos de trabalho. Deputados devem responder à altura ao chamado da população — aprovar a PEC em dois turnos antes do recesso parlamentar.

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