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Opinião
Editorial Povo nas ruas

Publicado em: 02/07/2019 03:00 Atualizado em: 02/07/2019 16:35

Ruas tomadas pacificamente por adultos e crianças tornaram-se comuns na paisagem urbana brasileira. Em 2013, os brasileiros saíram de casa para manifestar o descontentamento com os rumos do país. Reivindicações difusas e espontâneas deixaram claro o que os cidadãos não queriam — corrupção, inflação, desemprego, declínio econômico.

De lá para cá, volta e meia o espaço público é tomado por brasileiros que se organizam por meio das mídias sociais para dizer, sem intermediações, o que querem de seus representantes. Domingo, moradores de 88 cidades nas 27 unidades da Federação voltaram às ruas com pauta clara, que deixa a certeza de que o Brasil mudou.

Deixou para trás o papel de marionete, facilmente manipulável por palavras vazias e intenções pouco republicanas. Depois do assalto à Petrobras, dos desmandos que jogaram o país em profunda recessão cujo saldo é uma década perdida, 13 milhões de pessoas desempregadas e 15 milhões de subutilizadas ou desalentadas, o povo dá mostras de que acordou do sono que acalentava em berço esplêndido.

Diferentemente da primeira manifestação em que os participantes tinham certeza do que não queriam sem saber exatamente o que queriam, a de domingo último não autoriza dúvida. Faixas, cartazes e pronunciamentos disseram sim à Operação Lava-Jato, à reforma da Previdência, ao pacote anticrime e ao ministro da Justiça, Sérgio Moro. Ficou claro que não há lugar para retrocessos.

Pela primeira vez, em mais de 500 anos de história, bandidos do colarinho branco prestaram contas à Justiça. Muitos estão atrás das grades. Trata-se de salto civilizatório que concretiza o afirmado na Constituição. Todos, diz a Carta Magna, são iguais perante a lei. Pobres e pretos, até há pouco, únicos a ocupar as dependências das superlotadas cadeias, passaram a conviver com políticos, empresários, banqueiros.

A guinada de 180 graus ocorreu sob o império da lei e da ordem. Graças à plena democracia em que o país vive, o site The Intercept divulgou supostas mensagens trocadas entre o então juiz Sérgio Moro e procuradores da Lava-Jato obtidas por hackers. Sem censura, a imprensa noticiou os fatos enquanto as autoridades investigam a ação criminosa. O cenário é de tranquilidade — sinal de que as instituições se encontram em pleno funcionamento. Trata-se de conquista da qual o brasileiro não abdica. Eis o recado das ruas.

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