O amigo Rostand

Moacir Veloso
Advogado

Publicado em: 16/07/2019 03:00 Atualizado em:

Estamos no fim da tarde do dia 09.07.2019, precisamente às 16h47, fiz uma ligação para Rostand Paraíso. Seguiu-se o seguinte diálogo: Rostand, posso aumentar a dose de Pressat para 10mg? - Não, você não vai passar no consultório amanhã? Lá a gente conversa... Na manhã seguinte, logo ao acordar, abri o whatsApp e lá estava uma mensagem informando que o meu amigo havia falecido. Fiquei atordoado; o coração do homem que cuidava do meu coração, parou. Levei um bom tempo para processar o sentimento da incomensurável perda. Foi-se o homem, o médico, o escritor, e sobretudo, o excepcional humanista. Digo sem medo de errar que Rostand Carneiro Leão Paraíso foi um dos maiores cardiologistas e médicos-escritores da história da medicina de Pernambuco. Seu currículo não nega: era membro da Sociedade Brasileira de Médicos e Escritores e da Academia Pernambucana de Letras que tomou posse na Cadeira 14, em março de 2000. Natural de Recife, nascido em 26 de fevereiro de 1930. Médico cardiologista formado pela Faculdade de Medicina da antiga Universidade do Recife em 1953. Era filho do professor Othon Paraíso. Formou-se em medicina no Recife, em 1953, ainda na praça do Derby, e poucos anos após a graduação recebeu bolsa de estudos da Fundação Rockfeller indo para a Universidade Tulane em Nova Orleans. Rostand dedicou-se à cardiologia e muito especialmente ao seu ensino. Foi professor assistente na segunda cadeira de Clínica Médica, Enfermaria Santo Anselmo do Hospital Pedro II. Teve ativa participação no Congresso da Cardiologia em Pernambuco e fundador do Prontocor, nos anos 70. Foi um entusiasta da cirurgia coronária com Pontes de Safena, associando-se ao Dr. Carlos Moraes na Fundação do Instituto do Coração de Pernambuco, em funcionamento no Real Hospital Português. Seus livros versam sobre memórias do Recife dos anos dos anos 40 e 50. Era um memorialista. Livros publicados – Antes que o tempo apague. Comunicarte, 1993 e 1996; – Tantas histórias a contar… . Comunicarte, 1994; – O Recife e a II Guerra Mundial. Comunicarte, 1995 e Bagaço, 2003; – Esses ingleses… . Bagaço, 1997 e 2003; – Cadê Mário Melo… . Comunigraf, 1997; – A indefinível cor do tempo. Bagaço, 1998 e 2005; – A Esquina do Lafayette e outros tempos do Recife. CEPE, 2001; – A velha Rua Nova e outras histórias. Bagaço, 2002; – Charme e magia dos antigos hotéis e pensões recifenses. Bagaço, 2003; – A velha senhora. Bagaço, 2004; – Livros, livreiros, livrarias. Bagaço, 2006; – Fuxicos Literários: a Boêmia dos Cafés. Bagaço 2007 – A magia dos quadrinhos. Bagaço, 2008. – O vendedor de livros. Bagaço, 2010. Foi-se o Homem e ficou o seu legado. A comunidade médica de Pernambuco e a do The British Country Club estão de luto. Adeus, estimadíssimo Rostand; no Paraíso você sempre esteve. 

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