Diario de Pernambuco
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Opinião
Lamentável estribilho

Bartyra Soares
Membro da Academia Pernambucana de Letras

Publicado em: 10/07/2019 03:00 Atualizado em: 10/07/2019 10:10

Num carnaval que já vai longe, no Sudeste do país, um samba-enredo de autoria de João Sérgio, questionava: “Como será o amanhã? / Responda quem puder...” A dificuldade em responder a essa questão se dá pelo fato de que o cenário do amanhã diz menos respeito ao campo das certezas e mais ao das probabilidades. As ciências podem descrever certos fenômenos naturais a vir ao palco do presente e até precisar o momento em que ocorrerão, mas não se consegue falar com a mesma segurança sobre o comportamento humano e as relações subjetivas que se estabelecerão. Não é fácil descrever um cenário para a pessoa do futuro.

Muitas viradas culturais e sociais estão explodindo. Os conceitos tomados como sólidos e absolutos vêm se estilhaçando. As identidades culturais têm sido afetadas pelas transformações científicas, tecnológicas e sócio-econômicas, acerca de algumas tendências observadas na mudança do comportamento do homem.

Vale lembrar, entretanto, que tudo é um processo e fruto, também, de um trabalho interior. Só nos tornaremos pessoas inteiras no amanhã, se não nos deixarmos levar pela falta de solidariedade, se nos revestirmos de coragem para nos libertarmos das amarras do egoísmo que ainda nos aprisionam e se construirmos nossa felicidade e contribuirmos para a conquista da felicidade do outro.

Contudo, a tão desejada felicidade ainda é precária e até inexiste. O que vemos na atualidade é devastador. A cada dia, nas ruas, praças, estabelecimentos públicos ou privados, enfim em qualquer ambiente, pelos motivos mais fúteis, dezenas e dezenas de seres humanos, anônimos, são assassinados. Muitos não pertencem a nenhum partido, não são militantes políticos, não são sindicalistas, não vão a manifestações.

Estes indivíduos “apenas” ocupam cargos humildes, moram nas zonas periféricas das cidades, sem direito a saneamento básico, escolaridade, assistência médica. Não medem esforços para cumprirem suas atividades, onde quer que atuem. Não é raro, porém, que no cumprimento de suas obrigações, sem mais nem menos, por alguns trocados que levam no bolso, um par de sandálias havaianas nos pés, o sonho de voltarem para casa com o (i)nsuficiente para alimentar a família seja frustrado: repentinamente, são assassinados por indivíduos que têm por “profissão” a criminalidade, o roubo, como consequência, a destruição de famílias que perdem seus chefes. Será este o prolongamento do presente para o futuro que nos aguarda?

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