Diario de Pernambuco
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Opinião
Em defesa da História e da Educação no Brasil

Juliana Alves de Andrade
Professora da UFRPE. Presidenta da Associação Nacional de História - Seção Pernambuco (ANPUH-PE)

Publicado em: 19/07/2019 03:00 Atualizado em: 19/07/2019 09:29

Quando a Associação Nacional de História- ANPUH/Brasil foi criada em 19 de outubro de 1961, professores e pesquisadores se reuniram com a intenção de enfrentar os desafios da profissionalização do ofício de (a) historiador (a) e problematizar a influência da produção historiográfica memorialista e autodidata vigente no período na literatura didática e história pública. Poucos anos depois, após a fundação na cidade de Marília, a ANPUH-Brasil incorporava as suas bandeiras de luta o lema “Em defesa da História no espaço escolar e na universidade” para nunca mais abandoná-lo.

Anos depois, a Associação continua reunindo professores e professoras de história, de todos os níveis de ensino, e pesquisadores e pesquisadoras, em diferentes estágios da carreira, para continuar enfrentando os grandes desafios impostos ao campo na atualidade, sobretudo, discutir o lugar da história no contexto atual e a criminalização da prática pedagógica das(os) professoras(es).

Preocupados com o futuro próximo, as(os) historiadoras(es) e professoras(es) de história se encontraram no 30º Simpósio Nacional de História, na cidade do Recife, entre os dias 15 a 19 de julho de 2019, para  discutir o autoritarismo no Brasil e América Latina, a Negação da História, Usos Políticos do Passado, Liberdade de Cátedra e o processo de humanização da sociedade contemporânea.

Foram várias conferências proferidas por influentes historiadoras(es), nacionais e internacionais, diversos diálogos contemporâneos, simpósios temáticos e minicursos. Para enfrentar os desafios que assombram a prática pedagógica e historiográfica da(o) professora(o) de história, os participantes do evento puderam ver os resultados de pesquisas produzidas nas diferentes partes do país. Os pesquisadores e pesquisadoras também apresentaram a produção científica em conferências e Diálogos Contemporâneos, lançando luz sobre temas complexos da nossa atualidade, como as questões relativas ao passado escravocrata e suas permanências nas relações sociais, nas formas de trabalho do presente e nos golpes políticos no Brasil e América Latina. Entre os desafios atuais, podemos destacar as candentes questões do avanço da “onda conservadora” sobre a América Latina e os usos do passado autoritário no momento presente.

Essa tão aguardada reunião bianual, que proporcionou a veteranos(as) e calouros(as) um confortável sentimento de comunidade,  aconteceu novamente sob a coordenação geral do Profº Dr. Márcio Vilela (CAp/UFPE) e da Profª Drª Juliana de Andrade (UFRPE), que de forma conjunta com os demais professoras(es) de história da nova geração ( Profº Dr. Helder Remígio, Profº Dr. Pablo Porfírio, Profº Humberto Miranda, Profª Drª Lúcia Falcão, Profª Drª Maria do Rosário, Profª Elizabet Remígio,  Profº Anderson Silva,  Profº Diego Silva,  Profº Josè Walmison Barros, Profª Joana Lucena, Profº Arthur Lira, Profª Karlene Araújo, Profª Aryanny Silva, a ANPUH-Brasil, a ANPUH-PE e demais instituições de ensino (UPE e UNICAP) empenharam-se em realizar um evento que acolheu cerca de 6 mil participantes, mantendo a excelência e o compromisso social-político do 18º SNH, realizado em 1995, na cidade do Recife.

Num contexto marcado pelas incertezas que tanto impactam o horizonte de expectativa da sociedade brasileira, os 6 mil participantes se reuniram para fortalecer o espírito e colaborar para o enfrentamento deste futuro marcado pelos diferentes tons de cinza, lançando luz sobre as preocupações cotidianas, cujas marcas do passado colonial insistem em naturalizar e sacralizar as desigualdades sociais no Brasil. Ocasião em que o Simpósio se torna um espaço em defesa da pesquisa e do ensino, mas, principalmente em defesa da História. 

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