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Opinião
Editorial Ousadia contida

Publicado em: 28/06/2019 03:00 Atualizado em: 01/07/2019 09:34

A ousadia e o terror impostos à população pelas quadrilhas especializadas em roubo de agências bancárias no interior do país continuam em alta, ultrapassando todos os limites, mesmo com os esforços da polícia na repressão a esse tipo de crime, que se espalha por todas as regiões brasileiras. Uberaba, no Triângulo Mineiro, foi novamente transformada, pela segunda vez em menos de dois anos, em verdadeiro campo de batalha na madrugada de ontem. Cerca de 30 assaltantes, fortemente armados, invadiram ruas e avenidas do centro da cidade, na tentativa de levar o dinheiro dos cofres de dois bancos. Mas, dessa vez, mesmo com todo o seu poderio bélico, os marginais encontraram forte resistência policial.

Os moradores da cidade de mais de 300 mil habitantes viveram momentos de angústia, uma vez que os marginais fizeram reféns em uma farmácia e feriram duas pessoas, deixando uma mulher de 21 anos em estado grave, com ferimentos na cabeça. A clara intenção dos assaltantes era sitiar a área central de Uberaba — essa tática é sempre usada nesse tipo de ação criminosa —, mantendo as forças de segurança distantes. No entanto, a resposta da polícia foi imediata, e um grupo de 10 acabou sendo cercado e todos foram presos. Em casos semelhantes, no passado, as quadrilhas conseguiam fugir, com tranquilidade, carregando o produto do roubo, por causa, principalmente, da lentidão dos policiais em reagir.

Sem se intimidar, os assaltantes, provenientes de Campinas, no interior de São Paulo, fuzilaram uma unidade do Corpo de Bombeiros para criar confusão. E a ousadia deles não parou por aí: dispararam contra prédios, atingindo, inclusive, um onde funcionavam gabinetes de vereadores. A reação imediata dos policiais militares foi comprovada pelos moradores das áreas onde ocorreram os conflitos, que postaram vídeos nas redes sociais. O fogo pesado dos assaltantes teve resposta à altura. Os agentes de segurança não se abrigaram à espera de reforços, como era comum acontecer em outras ocorrências similares.

Aos bandidos não restou outra saída senão a fuga em alta velocidade em direção à rodovia BR-262, que liga o município a Araxá, famosa por suas termas sulfurosas. A crueldade do bando criminoso pôde ser atestada pelo refém transformado em escudo humano ao ser amarrado na frente de um dos carros usados na evasão. Bloqueios foram montados pela Polícia Militar nas rodovias e estradas vicinais que cortam a região. O grupo de 10 assaltantes acabou cercado e, depois de tensas negociações, os marginais se entregaram e os sete reféns foram libertados, entre eles uma criança de 2 anos e outra de 12.

A pronta e eficaz reação das forças de segurança em Uberaba é consequência da determinação da polícia de combater, sem trégua, o que se convencionou chamar de “Novo Cangaço”, numa alusão aos crimes cometidos pelos cangaceiros nordestinos no fim do século 19 e início do século 20. Antes, os bandidos escolhiam pequenos municípios para estourar caixas eletrônicos, mas, com o passar do tempo, começaram a invadir cidades de porte médio, numa insolência assustadora. Que a ação policial no Triângulo Mineiro sirva de lição para os criminosos que insistem em levar pânico e medo a todo o Brasil.

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