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'Julgamento do 6/1': Biden cita 'forças ativas' após invasão ao Capitólio

Publicado em: 11/06/2022 08:20

 (crédito: Mandel Ngan/AFP)
crédito: Mandel Ngan/AFP
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, declarou que as "forças" que estiveram por trás da invasão ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, ainda representam uma ameaça para a democracia norte-americana. O alerta foi feito no dia seguinte à primeira das seis audiências previstas pela comissão criada pela Câmara dos Representantes para investigar o ataque à sede do Legislativo por parte de simpatizantes do republicano Donald Trump. Depois de realizarem cerca de mil entrevistas e de coletarem 140 mil documentos, os nove integrantes responsabilizaram Trump pela "carnificina". 

"É importante que o povo americano entenda o que realmente aconteceu e que compreenda que as mesmas forças que levaram (à insurreição no Capitólio) em 6 de janeiro continuam ativas hoje", declarou Biden, durante discurso em Los Angeles, à margem da Cúpula das Américas.

"A insurreição de 6 de janeiro é um dos capítulos mais escuros na história de nossa nação. Um ataque brutal à nossa democracia, um ataque brutal às forças da ordem, com algumas pessoas perdendo a vida", disse Biden. Durante a invasão, cinco pessoas morreram, entre eles um policial.

A expectativa é de que, na segunda-feira, a comissão descreva como o então presidente atuou em "um esforço maciço para espalhar informações falsas e fraudulentas" sobre as eleições presidenciais, apesar de o próprio magnata reconhecer a derrota. 

O deputado democrata Bennie G. Thompson, chefe da comissão, alertou anteontem que "a violência não foi um acidente". "Ela representou a última e mais desesperada chance de Trump de suspender a transferência de poder (para Biden). Finalmente, Donald Trump — o presidente dos Estados Unidos — incitou uma multidão de inimigos domésticos da Constituição a marcharem até o Capitólio e a subverterem a democracia americana", disse. De acordo com ele, o 6 de janeiro foi o "culiminar de uma tentativa de golpe, uma tentativa descarada (...) de derrubar o governo (de Biden)".

Em uma das revelações surpreendentes, a deputada Liz Cheney afirmou à comissão que Trump tentou usar o cargo para anular a eleição. Sem sucesso, pressionou o vice, Mike Pence, a descartar votos do Colégio Eleitoral em prol de Biden. "Ciente de que os manifestantes gritavam para "enforcar Mike Pence", o presidente respondeu com esse sentimento: 'Talvez nossos simpatizantes tenham a ideia certa. Mike Pence merece isso'", relatou Cheney. Ainda segundo ela, "Trump convocou a multidão, reuniu a multidão e acendeu a chama deste ataque".

Milícia
 
Historiador político, brasilianista discípulo de Thomas E. Skidmore e professor da Universidade Brown (em Rhode Island), James Naylor Green afirmou ao Correio que, com base na audiência de quinta-feira, o comitê legislativo que investiga a invasão ao Capitólio acusa as organizações neofascistas Proud Boys e Oathkeepers de colaborarem com Trump para a insurreição.

"Quando Trump convocou as pessoas a marcharem rumo ao Capitólio, enviou a mensagem à multidão que apoiaria os Proud Boys na invasão ao Congresso. Essas milícias, embora estejam sob acusação e investigação, são fortes. Entre 30% e 40% da base do Partido Republicano apoiam a mentira de Trump de que as eleições foram fraudadas. Isso é uma indicação de que essas forças ainda estão preses e ativas no seio do Partido Republicano", advertiu Green. 

Bruce Ackerman, professor de direito e de ciência política da Universidade de Yale, explicou à reportagem que, sob a 14ª Emenda à Constituição, caso Trump tenha se "engajado em uma insurreição contra os EUA", ele ficará proibido de exercer outro mandato. "A declaração de Biden indica que o democrata apoiará as atuais propostas legislativas para ativar a 14ª Emenda, o que aumenta as chances de veto ao republicano", comentou.

"Mesmo que Trump seja desqualificado, os republicanos tentarão nomear outro extremista demagogo como candidato. Se o escolhido derrotar Biden em 2024, o novo presidente destruirá o sistema eleitoral e estabelecerá um regime autoritário muito parecido com aquele que Bolsonaro criará, se vencer em 2023. Nesse caso, levará uma geração ou mais para restaurar a democracia no mundo", acrescentou o estudioso de Yale.
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