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CLIMA

Tempestades deixam 67 mortos na Europa, a maioria na Alemanha

Por: AFP

Publicado em: 15/07/2021 18:17 | Atualizado em: 15/07/2021 18:27

 (Foto: Sebastian Schmitt / DPA / AFP)
Foto: Sebastian Schmitt / DPA / AFP
Fortes chuvas e inundações deixaram pelo menos 67 mortos e muitos desaparecidos na Europa, a grande maioria deles na Alemanha, em uma tragédia que vários líderes políticos atribuem às mudanças climáticas.

A situação mais dramática ocorreu nesta quinta-feira (15) no oeste da Alemanha, nos estados da Renânia do Norte-Vestfália e Renânia-Palatinado, cujas autoridades atualizaram o balanço de vítimas para 59 mortos e dezenas de feridos.

Muitos municípios ainda estavam isolados na noite desta quinta e dezenas de pessoas seguiam desaparecidas, portanto, teme-se um saldo ainda mais alto.

Na Bélgica, a tempestade deixou pelo menos oito mortos e quatro desaparecidos, segundo informações das autoridades comunicadas pela agência Belga. Além disso, em Luxemburgo e na Holanda, foram registados danos materiais significativos.

- "Uma tragédia" -
"É uma catástrofe, uma tragédia", disse a chanceler alemã Angela Merkel, de Washington, onde iniciou uma visita oficial nesta quinta. Ela garantiu que o Estado "fará de tudo" para auxiliar os afetados.

Metade das mortes, "pelo menos 30", ocorreu na Renânia do Norte-Vestfália, o estado mais populoso do país, e as outras na Renânia-Palatinado.

No município de Schuld, ao sul de Bonn, a polícia contabilizou dezenas de pessoas desaparecidas depois que o transbordamento de um rio atingiu seis casas.

A polícia pediu aos moradores que enviassem vídeos e fotos que pudessem fornecer pistas sobre seus parentes desaparecidos.

Na cidade de Mayen, na Renânia-Palatinado, as ruas foram completamente inundadas.

"De onde vem toda essa chuva? É uma loucura. Fez um estrondo terrível", disse à AFP Annemarie Müller, que mal dormiu durante a noite.

"Em 2016, enfrentamos inundações muito fortes, mas isso é ainda pior", contou Uli Walsdorf, subchefe dos bombeiros em Mayen.

"A situação é muito alarmante", afirmou ao jornal Bild Armin Laschet, ministro-presidente da Renânia do Norte-Vestfália e candidato à sucessão de Merkel em setembro, após visitar alguns locais inundados em seu estado.

Nesta região, dois bombeiros perderam a vida enquanto trabalhavam em tentativas de resgate e outras duas pessoas morreram em porões inundados.

Cerca de 135 mil casas estavam sem energia nesta quinta-feira de manhã e as autoridades tiveram que evacuar quase 500 pacientes de uma clínica na cidade de Leverkusen.

Em todo o oeste da Alemanha, as cenas se repetiam: rios transbordando, árvores desenraizadas, estradas e casas inundadas. As autoridades pediram aos residentes que fiquem em casa ou subam nos telhados, se necessário.

O exército foi enviado a áreas mais afetadas para participar dos esforços de resgate.

- Mudanças climáticas -
"Esses caprichos meteorológicos extremos são consequências das mudanças climáticas", apontou o ministro do Interior, Horst Seehofer.

“Isso significa que temos que acelerar as medidas para proteger o clima”, ressaltou Laschet.

Uma atmosfera mais quente retém mais água e pode causar chuvas extremamente intensas que podem ter consequências devastadoras em áreas urbanas com cursos de água mal drenados e construções em áreas inundáveis.

Bélgica, Luxemburgo e Holanda, países vizinhos das regiões alemãs mais afetadas, também sofrem com as intempéries.

A Bélgica mandou o exército para quatro de suas dez províncias para ajudar nos esforços de socorro e evacuação. O país registrou oito mortos e quatro desaparecidos e teme que o rio Meuse transborde.

"Muitas" casas foram inundadas e tiveram de ser evacuadas em todo o país, informaram as autoridades de Luxemburgo.

Na Holanda, a alta das águas ameaça isolar a pequena cidade de Valkenburg, a oeste de Maastricht. Várias estradas, incluindo uma rodovia bastante movimentada, foram fechadas devido ao risco de enchentes.
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