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100 FOCOS

Dezenas de incêndios assolam o leste da Austrália

Por: AE

Publicado em: 08/11/2019 14:49

No verão, os incêndios de ervas daninhas e de várzea são frequentes na Austrália, mas este ano começaram mais cedo. (Foto: Saeed Khan/AFP)
No verão, os incêndios de ervas daninhas e de várzea são frequentes na Austrália, mas este ano começaram mais cedo. (Foto: Saeed Khan/AFP)
Dezenas de incêndios devastavam o leste da Austrália nesta sexta-feira, 8, segundo os bombeiros, que enfrentam grandes dificuldades para extinguir tantos focos ao mesmo tempo. No total, 100 focos de incêndios atingem as áreas rurais dos Estados de Nova Gales do Sul e Queensland. Dezessete deles, muito perigosos, permaneciam fora de controle.

"Nunca tivemos tantos incêndios ao mesmo tempo e com tal nível de urgência", disse à televisão pública ABC Shane Fitzsimmons, chefe dos serviços de bombeiros da zona rural de Nova Gales do Sul. "Estamos em território desconhecido", acrescentou.

No verão, os incêndios de ervas daninhas e de várzea são frequentes na Austrália, mas este ano começaram mais cedo. No momento, não há relatos de que os incêndios tenham causado vítimas, embora muitas pessoas tenham ficado presas pelo fogo em suas casas.

As mudanças e os ciclos climáticos causaram uma seca excepcional um baixo índice de umidade e ventos fortes, que contribuem para causar os incêndios na vegetação rasteira.

As chamas se espalharam por mais de mil quilômetros na costa do Pacífico. Portanto, os bombeiros enfrentam grandes dificuldades, apesar do apoio aéreo de cerca de 70 aparelhos, entre helicópteros e aviões.

Em Nova Gales do Sul, as autoridades indicaram que os incêndios ultrapassaram as áreas onde foram confinados, de modo que parte da Rodovia do Pacífico que liga Sydney e Brisbane teve que ser fechada.

Os ventos fortes e as altas temperaturas que atingem a Austrália Oriental devem diminuir no fim de semana, oferecendo assim alívio dos incêndios. No entanto, secas prolongadas e baixos níveis de umidade continuarão favorecendo o fogo. "É uma dinâmica muito volátil e perigosa", diz Fitzsimmons.

A Austrália anunciou esta semana um programa de ajuda financeira de 1 bilhão de dólares australianos (US$ 690 milhões) para combater as consequências da seca.

Morte de coalas

Incêndios florestais dizimaram metade dos coalas que habitam uma reserva litorânea de Nova Gales do Sul, estimaram especialistas nesta sexta-feira.

O início intenso da estação de incêndios florestais provocou uma queimada na Reserva Natural do Lago Innes que destruiu dois terços do habitat dos coalas no mês passado.

Cerca de 350 coalas que viviam na reserva de Port Macquarie, cidade do litoral norte, morreram nos incêndios florestais, estimou o grupo Koala Conservation Austrália. A população total da reserva é de 500 a 600 coalas, disse a presidente do grupo, Sue Ashton.

Cuidadores de animais do vizinho Hospital de Coalas de Porto Macquarie tratam de coalas resgatados, enfaixando suas feridas e alimentando-os com folhas de eucalipto e fórmula.

"Procuramos sinais de dor - ranger de dentes, aflição - e encaramos um dia de cada vez", disse Amanda Gordon, que lidera a equipe de cuidadores, acrescentando que os problemas de saúde de alguns dos marsupiais podem ser difíceis de detectar.

"Às vezes os coalas parecem estar muito bem. As patas podem estar sarando, mas se está acontecendo algo que não conseguimos ver não existe muita coisa que possamos fazer", acrescentou ela, que trabalha no hospital há 15 anos. Os cuidadores estimam que ao menos 10 dias são necessários para avaliar todos os danos à população de coalas.
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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