Amazônia Chileno defende ajuda europeia contra queimadas

Por: FolhaPress - FolhaPress

Publicado em: 28/08/2019 22:24 Atualizado em:

Foto: Daniel Nepstad/Divulgação
Foto: Daniel Nepstad/Divulgação
O presidente do Chile, Sebastián Piñera, defendeu nesta quarta-feira (28) que os países sul-americanos aceitem ofertas das nações europeias para a preservação da floresta amazônica.
 
Na saída de encontro com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Alvorada, em Brasília, ele ressaltou que ajudas bilaterais são bem-vindas, mas que devem respeitar a soberania das nações da região. "A Amazônia do Brasil está sob soberania brasileira, e isso tem de reconhecer e respeitar sempre. Mas é também certo que muitos países querem colaborar com um país amigo e irmão como o Brasil", disse.
 
O chileno defendeu a ajuda financeira oferecida pelos países do G7, de US$ 20 milhões (R$ 83 milhões), ressaltou que está disposto a ajudar no diálogo, mas observou que cada país sul-americano tem a liberdade de escolher que recurso quer ou não receber.
"O Chile está muito satisfeito em colaborar e em poder organizar a colaboração de outros países, que também querem ajudar, sempre respeitando a soberania do Brasil e do presidente brasileiro."

 
Piñera disse ainda que o aporte de US$ 20 milhões pode se tornar ainda maior caso as nações sul-americanas aceitem fazer negociações bilaterais com os países desenvolvidos, que estão dispostos a colaborar.
Depois do encontro, Bolsonaro disse que no próximo dia 6 de setembro os presidentes de países da região amazônica irão se reunir em Leticia, na Colômbia, para discutir políticas ambientais. "Nós estaremos reunidos com esses presidentes, exceto o da Venezuela [Nicolás Maduro], para discutirmos uma politica única de preservação do meio ambiente, bem como de exploração de forma sustentável", afirmou.
 
Na reunião desta quarta-feira (28), foi anunciado um empréstimo ao Brasil de quatro aviões e 40 brigadistas do Chile para combater a série de queimadas recentes na floresta amazônica. Em pronunciamento, Bolsonaro voltou a criticar o presidente francês, Emmanuel Macron, e afirmou que ele tem tentado se cacifar perante o mundo com um discurso em defesa da Amazônia.

Segundo ele, essa bandeira não é dele, mas do Brasil. "No meu entendimento, houve um aproveitamento por parte do senhor presidente Macron para se capitalizar perante o mundo como aquela pessoa única, exclusiva e interessada em defender o meio ambiente", disse.
O presidente voltou a dizer que só aceitará a oferta de US$ 20 milhões se o francês se retratar sobre uma crítica feita ao brasileiro, de que ele teria mentido na reunião dos dois na cúpula do G20.
 
"Quando vocês olham para o tamanho do Brasil, a oitava economia do mundo, parece que US$ 20 milhões é o nosso preço. O Brasil não tem preço. US$ 20 milhões ou US$ 20 trilhões é a mesma coisa para nós", disse.

 
Bolsonaro afirmou também que Macron ofendeu a ele e relativizou a soberania do Brasil. Ele acrescentou que o francês "desrespeitou o sentimento patriótico do povo brasileiro".
"Somente após ele se retratar do que falou no tocante à minha minha pessoa, que representa o Brasil como presidente eleito, bem como o espirito patriótico do nosso povo", disse. "Havendo isso aí, sem problema, voltamos a conversar", ressaltou.


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