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OPERAÇÃO

EUA querem coalizão internacional para proteger petroleiros no Golfo

Por: AFP

Publicado em: 11/07/2019 13:42

Foto: Karim Sahib/AFP
Os Estados Unidos e seus aliados planejam uma operação para escoltar os navios comerciais no Golfo, em meio a um clima de extrema tensão com o Irã - declarou um general americano, nesta quinta-feira (11).

Indicado para o cargo de chefe do Estado-Maior Conjunto do Pentágono, o general Mark Milley afirmou, em uma audiência no Senado, que os Estados Unidos têm "um papel crucial" para reforçar a liberdade de navegação no Golfo.

"Acho que estamos tentando fazer isso com a coalizão para, em conjunto, fornecer escolta militar e naval para os envios comerciais", indicou o militar, acrescentando que esta operação deve começar "nas próximas semanas".

Na terça-feira (9), o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas americanas, general Joseph Dunford, já havia se manifestado sobre o assunto.

"Acredito que, provavelmente nas próximas duas, ou três semanas, determinaremos quais são os países que têm a vontade política de apoiar esta iniciativa e, depois, trabalharemos diretamente com os militares para identificar as capacidades específicas" para concretizá-la, afirmou Dunford.

Washington trará "conhecimento e vigilância do domínio marítimo", alegou o general.

A VI Frota americana se encontra estacionada no Bahrein.

Os petroleiros seriam escoltados por navios das nações, sob cuja bandeira navegam, como propôs o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em junho.

À época, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse esperar que mais de 20 países, entre eles os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, aceitem trabalhar em conjunto na segurança marítima. Com esta colaboração, os Estados Unidos poderão deixar de ser o único país responsável pelos custos da operação, ressaltou.

A Índia já enviou dois navios de guerra para o Golfo, visando a conduzir "operações de segurança marítima", em favor de barcos de bandeira indiana.

Outros países têm bases militares na região, como a França, em Abu Dhabi, e a Grã-Bretanha, no Bahrein.

O Estreito de Ormuz, pelo qual transita pelo menos um terço do petróleo mundial transportado pela via marítima, foi palco de uma série de acontecimentos - entre eles, ataques de origem desconhecida a petroleiros e a destruição, por parte do Irã, de um drone americano.

Washington acusou Teerã de estar na origem das sabotagens aos petroleiros, mas o Irã negou qualquer envolvimento nesses episódios.

Desestabilizar o mercado 

No ano passado, Trump se retirou do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano firmado em 2015 e acusou Teerã de pretender desestabilizar a região.

Desde então, voltou a aplicar severas sanções contra o Irã, as quais afetam fundamentalmente as exportações de petróleo da República Islâmica.

Negando estarem em busca de uma guerra com Teerã, os Estados Unidos anularam, no último minuto, ataques militares a alvos iranianos em represália pela destruição do drone.

As declarações do general Dunford foram dadas no momento em que o emir do Catar, Tamim bin Hamad Al-Thani, encontra-se em Washington.

O Catar é um aliado de Washington e um território onde os Estados Unidos mantêm cerca de 10.000 militares estacionados. Desde 2017, porém, sofre um embargo de Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahrein e Egito, também sócios regionais dos EUA.

Para Alex Vatanka, do think tank Middle East Institute, esta iniciativa americana pode, em longo prazo, ajudar a resolver o conflito diplomático entre as monarquias petroleiras.

O especialista se mostra cético, contudo, a respeito de uma "mudança geral da dinâmica" do conflito entre Teerã e Washington.

"Não acredito que isso vá dissuadir" o Irã de continuar pressionando os Estados Unidos e "de criar pânico na cabeça" de Trump, desestabilizando o mercado mundial da commodity, completou.

Em recente visita ao quartel-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o secretário americano da Defesa, Mark Esper, afirmou que "alguns" aliados teriam manifestado, em privado, sua vontade de participar da coalizão.

Vários líderes europeus questionam os fundamentos da política de Trump em relação ao Irã.

Em maio, a Espanha retirou uma fragata que acompanhava um porta-aviões americano para evitar a todo custo "uma ação bélica".

O Estreito de Ormuz é particularmente vulnerável, por sua largura, de cerca de 50 quilômetros, e por sua profundidade, que não passa de 60 metros. O Irã ameaça bloquear a passagem, em caso de confrontação com os Estados Unidos.

Washington já participou de operações de proteção de petroleiros no Golfo durante a guerra entre Irã e Iraque, quando navios do Kuwait operaram sob bandeira americana.

Em julho de 1988, o cruzador "USS Vincennes" abateu um avião da companhia aérea nacional Iran Air, matando seus 290 ocupantes. Na época, o Exército americano alegou ter confundido o aparelho com um caça iraniano.
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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