REIVINDICAÇÃO Centenas de migrantes ocupam Panteão em Paris para pedir regularização

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 12/07/2019 15:56 Atualizado em:

AFP: Kenzo Tribouillard/AFP
AFP: Kenzo Tribouillard/AFP
Centenas de migrantes em situação irregular ocuparam brevemente, nesta sexta-feira (12), o monumento parisiense do Panteão, necrópole das grandes personalidades da França, para reivindicar sua regularização e pedir um encontro com o primeiro-ministro francês.

Segundo estimativa dos organizadores, cerca de 700 migrantes ocuparam ao meio-dia este imponente monumento no centro de Paris.

A ação foi organizada por integrantes dos coletivos "Coletes Pretos" e "A Capela em pé", que apoiam os migrantes em condição clandestina.

O Panteão foi esvaziado sem incidentes por volta das 14h45 GMT (13h45 em Brasília) pela saída de trás, constataram jornalistas da AFP.

Depois, a multidão permaneceu do lado de fora, cercada pelos policiais, enquanto gritava palavras de ordem como "Coletes Pretos! Coletes Pretos!", como se chama o coletivo de migrantes que vivem em abrigos, ou nas ruas das região de Paris. O nome é uma referência ao movimento de protesto social contra o governo Macron que ficou conhecido como "Coletes Amarelos".

Em um comunicado, apresentam-se como "sem documentos, sem voz, sem rosto para a República francesa" e pedem "documentos e casa para todas e todos".

"Não queremos ter que negociar com o ministro do Interior [...] Queremos falar com o primeiro-ministro Edouard Philippe, agora!", escrevem na declaração.

"Muitas pessoas vivem há anos sem direitos. Ocupamos [o Panteão] para exigir do primeiro-ministro uma regularização excepcional. Não houve regularizações excepcionais desde a chegada de [François] Mitterrand ao poder [em 1981]. É hora de ter uma", disse Laurent, que participou do apoio aos manifestantes do lado de fora do monumento.

"O Panteão é um símbolo dos grandes homens. No interior, há símbolos da luta contra a escravidão. Estamos lutando contra a escravidão do Terceiro Milênio", acrescentou ele, em entrevista à AFP.

O coletivo "Coletes Pretos" costuma fazer ações de choque em apoio aos migrantes em condição ilegal.


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