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Notícia de Moda

Dragão Fashion

Dragão Fashion 2019: seis destaques da temporada cearense

Moda autoral, artesanato e pautas políticas dominaram a passarela do DFB deste ano, o primeiro no Aterro da Praia de Iracema

Publicado em: 26/05/2019 21:01 | Atualizado em: 17/06/2019 13:38

A moda artesanal foi protagonista na passarela do DFB 2019. Fotos: Roberta Braga e Chico Gomes/Divulgação


Fortaleza (CE)


>> Pernambucano na passarela cearense
O estilista pernambucano Melk Z-Da brilhou na passarela do Dragão Fashion, em Fortaleza (CE), com sua coleção Casa de Chá. Acessórios em formato de bule, adereços e estampas em formato de ervas, flores de hibisco e folhas de hortelã enfeitaram de delicadezas a coleção dele, enriquecida por sedas, tramas de viés, paetês, linho (tingido com chás) e crochês. O desfile, um passeio que conduziu a plateia das tradições do Oriente ao artesanato do Nordeste brasileiro, foi um dos destaques do festival. A celebração da moda autoral e artesanal envolveu também o armário masculino, integrando homens com peças de alfaiataria à apresentação. “Fizemos mais de dez ilustrações e escolhemos o universo sensorial do chá como protagonista”, explicou Melk sobre a coleção, sinalizando o resgate de suas ilustrações como uma gênese das peças. 

O estilista pernambucano Melk Z-Da brilhou na passarela cearense com coleção inspirada em chás. Fotos: Roberta Braga e Chico Gomes/Divulgação


>> Moda como ferramenta política
O estilista Caio Nascimento causou impacto no Dragão Fashion com um desfile-manifesto, sublinhando o papel político da moda autoral. Marcada por críticas ao cenário político-social brasileiro, a performance costurou trilha sonora poderosa (com canções como o rap Elevação Mental, de Triz) a antigas locuções de rádio (veiculadas durante a ditadura militar no Brasil) e falas do presidente Jair Bolsonaro. Mordaças e palavras de ordem marcaram a apresentação da coleção - intitulada Paz, elegância, amor e tesão – e repudiaram a censura e o regime ditatorial. As roupas e sua cartela de cores entregaram leveza e frescor, dando maior contraste ao tom do desfile, com dizeres de protesto pintados à mão. Em algumas peças, lia-se o nome de vítimas da ditadura militar brasileira, como o Frei Tito de Alencar, Olga Benário e a estilista Zuzu Angel.

A moda como ferramenta política também ganhou espaço no festival e recebeu aplausos contundentes. Fotos: Roberta Braga e Chico Gomes/Divulgação


>> Celebração da moda artesanal
Tecidos naturais e trabalhos manuais foram protagonistas da edição deste ano do DFB Festival, em Fortaleza (CE). Considerado o maior evento de moda autoral da América Latina, o festival celebrou 20 anos de realização e lançou luz sobre coleções engajadas e enriquecidas por tradições populares. Tradicional no line-up cearense, a estilista Almerinda Maria foi um dos destaques e associou diferentes técnicas artesanais nas passarelas. Mestra das rendas, uniu renascença e richelieu em roupas de alfaiataria, impressionando a plateia com uma sucessão de composições brancas influenciadas por tendências de modelagem das passarelas internacionais. A grife Rendá, de Camila Arraes, também prestigiou a atemporalidade do handmade com o tema Bordado Richilieu: da França ao Ceará. Mangas bufantes, couro bordado, decotes em V e comprimentos midi se destacaram na passarela da marca.

E as peças feitas à mão roubaram a cena, incentivando a valorização das rendas e trabalhos artesanais. Fotos: Roberta Braga e Chico Gomes/Divulgação


>> Brega e chique
Ao som de hits de Ronaldo Rosedá, como A última moda e Marrom glacê, o estilista cearense Lindebergue Fernandes, sempre um dos nomes mais aguardados no DFB, questionou as fronteiras entre o brega e o chique. Com modelos de gêneros, medidas e perfis diversificados, além de cabelos e maquiagens propositalmente extravagantes, Lindebergue lançou luz sobre a diversidade e a quebra de padrões. Intitulada Eu não sou seu lixo, a coleção reuniu peças elaboradas a partir de tecidos de descarte, t-shirts irônicas ou bem humoradas (com inscrições como “boy lixo” e “bye, bye, Brasil”) e modelagens oitentistas. Se há sempre um viés político em torno das performances assinadas pelo cearense, a deste ano teve contornos de humor e caricatura. A dignidade humana, o lixo literal e o lixo simbólico, bem como o tratamento do governo à população estariam, segundo o criador, entres as pautas abordadas nas produções.

Fronteiras entre o brega e o chique foram borradas em desfile assinado por Lindebergue, sempre um dos nomes mais aguardados do festival. Fotos: Roberta Braga e Chico Gomes/Divulgação


>> Homenagem ao Nordeste
A arte e a cultura nordestina foram celebradas na passarela da Água de Coco por Liana Thomaz. A xilogravura, os cactos, os coqueiros e o crochê permearam a coleção, remetendo à flora, às tradições, aos cenários e ao artesanato da região. Peças com babados, mangas removíveis, tops faixa, hot pants, maiôs e bodies (que podem ser usados também como blusas, levando a moda praia à cidade) se destacaram, além de tecidos cortados a laser e patches de Lycra. Na trilha sonora, faixas do cancioneiro popular nordestino, com participação do cantor Xand Avião entoando o clássico Asa Branca (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira).

As paisagens nordestinas foram celebradas nas estampas da Água de Coco. Fotos: Roberta Braga e Chico Gomes/Divulgação


>> A céu aberto
Um dos pontos altos da programação do Dragão Fashion deste ano, o primeiro ambientado no Aterro da Praia de Iracema, em Fortaleza (CE), foi a área externa DFBeach Club, com a passarela a céu aberto de 150m, instalada sobre as areias do Aterro. Entre as marcas que desfilaram no espaço, a ESC lançou seu Verão 2020 celebrando as transformações provocadas pela luz. Propondo uma moda praia que se estende para além do cenário, estampas de celebração ao sol e referências oitentistas integraram a coleção, cuja cartela de cores passeou entre tons claros (como o Azul Wave e o Nude Sunlight) e escuros (Neo Green e Deep Blue).

A ESC desfilou na passarela a céu aberto no Aterro da Praia de Iracema, com vista privilegiada do sol se pondo. Fotos: Roberta Braga e Chico Gomes/Divulgação


* A repórter viajou a convite da organização do Dragão Fashion

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