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OLIMPÍADA DE TÓQUIO

Porque alguns medalhistas brasileiros prestam continência no pódio

Publicado em: 04/08/2021 15:07 | Atualizado em: 04/08/2021 15:43

A cena foi vista inicialmente com Alison dos Santos, medalha de bronze nos 400m com barreiras nos Jogos de Tóquio (Foto: COB )
A cena foi vista inicialmente com Alison dos Santos, medalha de bronze nos 400m com barreiras nos Jogos de Tóquio (Foto: COB )
A cena foi vista inicialmente com Alison dos Santos, medalha de bronze nos 400m com barreiras nos Jogos de Tóquio. Depois, foi repetida por Ana Marcela Cunha, campeã olímpica na maratona aquática. A continência prestada por atletas brasileiros no pódio voltou a ser assunto e muitas pessoas se perguntam do motivo do gesto.

Houve quem achasse se tratar de posicionamento político, favorável ao presidente Jair Bolsonaro. Mas não é, necessariamente, uma atitude política.

A ex-nadadora Joanna Maranhão falou sobre o assunto nas redes sociais.

"Ó, minha gente, se tem uma coisa que Ana não faz, é se posicionar politicamente. Ela é atleta da Marinha, e eles pedem que atletas que fazem parte do programa (criado pelo PT) façam esse aceno pra mostrar que são apoiados pelas forças", escreveu Joanna, em seu Twitter, após a imagem de Ana Marcela prestando continênca viralizar.
 
O projeto ao qual a ex-nadadora se refere é o Programa Atletas de Alto Rendimento (PAAR), criado, na gestão do governo Lula, em 2008, pelo Ministério da Defesa em parceria com o (extinto) Ministério do Esporte.

Ele destina recursos à preparação de competidores de alto rendimento no Brasil. Na época, tinha o objetivo de investir no esporte sobretudo com vistas aos Jogos Mundiais Militares – que teriam a edição de 2011 no Rio de Janeiro.

Deu certo, já que o país terminou a competição na liderança do quadro geral de medalhas. Foram 114 no total, sendo 45 ouros, 33 pratas e 36 bronzes.

Foi a melhor campanha do Brasil em todas edições dos Jogos, mas, a partir dali, o país se consolidou como uma das potências esportivas militares.

Na última edição – a sétima –, em 2019, na China, foram 88 medalhas brasileiras (21 ouros, 31 pratas e 36 bronzes) e o terceiro lugar geral, atrás apenas dos anfitriões (239) e da Rússia (161).

Em Tóquio
O PAAR vai além da preparação para Jogos Militares. Ele se tornou essencial para o apoio a atletas em outras competições do calendário, como Mundiais e, principalmente, Olimpíadas.

Dos 302 brasileiros classificados para os Jogos Olímpicos do Japão, 91 fazem parte das Forças Armadas.

Desses, já conquistaram medalha (além de Alison dos Santos e Ana Marcela) Kahena Kunze (ouro na vela), Daniel Cargnin (bronze no judô), Fernando Scheffer (bronze na natação), e os boxeadores Abner Teixeira (bronze), Beatriz Ferreira e Hebert Conceição – os dois últimos estão na semifinal de suas categorias e ainda não definiram a cor da medalha.

De quem já subiu ao pódio na Olimpíada de Tóquio, só Alison dos Santos e Ana Marcela Cunha prestaram continência.
 

Esporte na pandemia
O apoio do projeto, especialmente durante o período da pandemia de Covid-19, também foi destacado por Joanna Maranhão.

Muitos atletas viram seus contratos serem encerrados – bronze no salto com vara, Thiago Braz perdeu o vínculo com o clube paulista Pinheiros e até agradeceu ao jogador Neymar pelo apoio, já que ele é agenciado pela empresa do atacante da Seleção Brasileira.

"A maioria dos clubes (Pinheiros, Minas e tal) ou diminuiu ou cortou salário durante a pandemia", lembrou Joanna. "Foi o programa com soldo mensal de R$ 4.500 (acho que é isso, na minha época era R$ 2.500) que sustentou essa galera. Sendo assim, nada mais normal", completou.

"Essa política pública, criada em 2008, é de fundamental importância pros atletas de rendimento do Brasil. Eu, o Luciano Corrêa (ex-judoca e marido dela) e mais uma galera fomos da primeira turma que formou, em 2009. A gente ficou três semanas na Urca fazendo estágio, aprendendo o básico e nos formamos como terceiro sargento do Exército. Isso é uma política pública que já acontece em outros países: Rússia, França...", escreveu a ex-nadadora.

"Tem atleta que representa Exército, Marinha, Aeronáutica. O prestar continência, até quando eu estive no programa (2015), era recomendação como aceno. Tipo 'ah ali, aquele atleta é militar', mas não era obrigatório (não em competições civis)."

Além do soldo, os atletas têm direito a assistência médica, acompanhamento nutricional e de fisioterapeuta, além de estruturas esportivas em organizações militares.

Medalhistas brasileiros em Tóquio que integram o programa
Abner Teixeira (bronze no boxe)
Kahena Kunze (ouro na vela)
Alison dos Santos (bronze no atletismo)
Daniel Cargnin (bronze no judô)
Fernando Scheffer (bronze na natação)
Beatriz Ferreira (medalha indefinida no boxe)
Hebert Conceição (medalha indefinida no boxe)
Ana Marcela Cunha (ouro na maratona aquática)
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