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Notícia de Economia

INDICADORES

Agropecuária e indústria registram queda no 2º e 3º trimestres de 2021

Publicado em: 01/09/2021 19:23

 (Foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Foto: Ed Alves/CB/D.A Press
Dois setores fundamentais para o Produto Interno Bruto (PIB), a agropecuária e a indústria, recuaram no segundo e terceiro trimestres deste ano. As quedas foram, respectivamente, de 2,8% e de 1,6%.

No 2º trimestre do ano, a agropecuária recuou 2,8% em comparação com os três primeiros meses do ano, a maior queda entre os setores analisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no PIB.

De acordo com Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), esse é um recuo normal do setor agropecuário. “Toda atividade agropecuária tem ciclos. Normalmente, vemos um primeiro trimestre bom, segundo trimestre um pouco mais abaixo, terceiro trimestre mais abaixo ainda e no quarto trimestre voltamos a ver números melhores”, analisa.

O recuo era esperado, mas a diminuição do PIB no setor agropecuário foi potencializada pelas secas e em regiões produtoras de milho e algodão. O fator climático mudou o modo de plantio das duas commodities, o que prejudicou as suas safras.

"O que a gente não previa no começo do ano é que a estiagem fosse tão prejudicial como foi. A falta de chuva prejudicou o desenvolvimento da cultura do milho, que foi plantado fora da sua janela de plantio. Aconteceu mais ou menos a mesma coisa que com o algodão. Também não previmos a geada em algumas regiões do Brasil e que acabou dificultando ainda mais o volume produção do milho e do algodão”, explica o coordenador da CNA.

Preço dos produtos
A retração do PIB agropecuário acaba refletindo no preço dos produtos do mercado, e consequentemente no bolso do brasileiro. Segundo Renato, os plantios mais afetados pela seca foram frutas e hortaliças.

“As hortaliças e frutas são culturas de curto prazo e curto período e têm uma cadeia de consumo mais simples. Então, quando o fator climático atrapalha, esses produtores sofrem mais e de maneira mais rápida, o que acaba refletindo em aumento de preços ao consumidor”, avalia Renato Conchon.

Renato reconhece que a queda deste trimestre foi acima do esperado, mas diz que o setor agropecuário já trabalha para retomar um crescimento. Porém, será necessário se atentar ao fator climático, que pode voltar a atrapalhar a safra dos plantios.

“O produtor rural não vai reduzir a área plantada nem a previsão de produção para 2021 e 2022. Ou seja, na verdade essa queda foi um soluço, que não deve se sustentar nos próximos períodos. Mas não podemos deixar de ter no nosso radar que o clima pode prejudicar, como fez.”

Apesar do resultado negativo comparado aos primeiros meses do ano, o PIB da agropecuária cresceu 1,3% em relação ao mesmo período de 2020.

Produtividade industrial
Conforme pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o índice de produtividade industrial no segundo semestre de 2021 caiu 1,6% em relação ao primeiro trimestre deste ano. O indicador encontra-se em patamar próximo ao dos primeiros seis meses de 2020, início da pandemia da Covid-19 no país.

Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, explica que a produtividade resulta da queda de dois percentuais. O primeiro, de 3,8%, refere-se à produção da indústria de transformação. O segundo, da diminuição de 2,3% das horas trabalhadas na produção.

“Esse indicador reflete um esgotamento dos investimentos feitos - e o ambiente de incerteza para quem investe. Com diversos fatores em contração não surpreende esse comportamento da produtividade”, disse o economista à CNI.

Segundo a instituição, a produtividade na indústria acumula três trimestres consecutivos de baixa. As razões envolvem fatores conjunturais. O desafio apontado pela CNI é que não há crescimento sustentável sem aumento da produtividade. E esta só cresce com mais investimentos em inovação, gestão e capacitação.

“No passado, em momentos de aceleração da economia brasileira, esbarramos em alguns entraves, um deles a falta de trabalhador qualificado, que limitou o crescimento. O investimento na educação e qualificação é fundamental para que essa história não se repita quando a economia brasileira finalmente superar a pandemia e iniciar um novo ciclo de expansão”, disse Marcelo Azevedo.
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