Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Notícia de Economia

reforma

Sem concluir primeiro turno, Câmara pode terminar votação da Previdência apenas em agosto

Publicado em: 12/07/2019 08:19

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), encerrou a sessão na madrugada desta sexta-feira (12) sem concluir a análise em primeiro turno da reforma da Previdência. A tendência é que essa etapa seja encerrada na tarde desta sexta.

Líderes dos principais partidos da Câmara estão divididos sobre a votação em segundo turno. Uma parte quer terminar com a análise da reforma até a próxima semana, entrando no recesso parlamentar com o assunto já liquidado.

Outra ala defende que a Casa apenas vote a proposta em segundo turno em agosto -após as férias de julho.

Após a sessão, Maia disse não ver problema em deixar a conclusão da votação para agosto.
"Eu acho que termina tudo [antes do recesso]. Mas, como o Senado não vai votar [a reforma] agora, não tem nenhuma gravidade. Mas o ideal é que a gente possa terminar ainda nesse semestre", afirmou o presidente.

Maia também trabalha com a possibilidade de estender a votação até sábado (13). "É arriscado. Tem que ver que tipo de mobilização se consegue a partir de sexta à noite", disse.

Pouco antes de determinar o fim dos trabalhos, Maia deixou o comando da sessão algumas vezes para definir a estratégia com os líderes. 

O presidente convocou nova sessão para às 9h desta sexta, mas a expectativa é que a análise da reforma só seja retomada por volta das 11h. 

O primeiro destaque a ser analisado foi proposto pelo PDT e busca regras mais vantajosas para professores. 
 
A proposta do partido reduz de 58 anos para 55 anos a idade mínima para professores que já estão na ativa. Para professoras, a idade mínima deve cair de 55 anos para 52 anos.

O temor da equipe econômica do governo é o de que após a apreciação da proposta do PDT -que tem apoio de grande parte dos parlamentares– os deputados comecem a deixar a Casa. 

Para evitar uma desidratação ainda maior da reforma, o governo precisa garantir 308 deputados favoráveis à proposta nas votações dos destaques. Ou seja, 60% da Câmara.
Ainda há emendas da oposição que podem desfigurar a reforma desejada pela equipe do ministro Paulo Guedes (Economia). 

Os destaques que mais preocupam os auxiliares do presidente Jair Bolsonaro (PSL) são de autoria do PT. Juntos, eles podem ter impacto de cerca de R$ 500 bilhões na economia prevista pela reforma. 
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Sobre Vidas: Nivia e o empoderamento de mulheres no Coque
DP Auto na Tóquio Motor Show - Tudo sobre a Nissan
Sérum, pele natural, sombras coloridas e blush cremoso
Lula: sou um homem melhor do que aquele que entrou na cadeia

Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco