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Notícia de Economia

liminar

Credor da Odebrecht pode tomar ação da Braskem

Publicado em: 12/07/2019 07:15

Arquivo/Agência Brasil
A Odebrecht sofreu na última quinta-feira (11), o primeiro revés desde que entrou com pedido de recuperação judicial, no mês passado. Uma liminar concedida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu a proibição dos credores de executarem as garantias dadas pelo grupo, sendo a maioria em ações da petroquímica Braskem. Ou seja, os credores poderão agora vender as ações da empresa, controlada pela Odebrecht.

A liminar atende a um pedido feito pelo Itaú Unibanco no início do mês, no qual alega que o “grupo Odebrecht sempre concordou com a garantia e sua natureza extraconcursal”. Portanto, não caberia agora defender sua “essencialidade e necessidade de manutenção para continuidade das atividades e sobrevivência das empresas”. 

Segundo o desembargador da 1.ª Câmara Reservada de Direito Empresarial, Alexandre Alves Lazzarini, relações contratuais dessa magnitude não são realizadas por empresários inexperientes. “Pelo contrário, a situação envolve negociações empresariais e bancárias de grande porte, fora dos parâmetros da ‘pessoa comum’, como se diz nas relações entre pessoas naturais” escreveu. “São contratos realizados com consultorias e assessorias altamente qualificadas”.

Além disso, ele observa o risco para o credor - no caso o Itaú - ter sua garantia partilhada com os demais credores da Odebrecht, “que não participaram das negociações e não apoiaram a continuidade das empresas, como feito pelo banco ao longo dos três últimos anos”. 

O pedido de recuperação judicial feito pela Odebrecht em junho foi o maior da história, com uma dívida de R$ 98,5 bilhões - incluindo os empréstimos entre suas companhias. Desde que virou um dos pivôs do maior escândalo de corrupção do Brasil, a Operação Lava Jato, os contratos minguaram e a dívida ficou grande demais para o novo tamanho do grupo baiano, que não teve alternativa a não ser recorrer à Justiça para se proteger do ataque de alguns credores.

Na ocasião, o juiz que acatou o pedido de recuperação do grupo impediu a execução das garantias em ações da Braskem, da Ocyan (braço de óleo e gás da empresa) e da Atvos, unidade de açúcar e álcool. O Itaú, então, recorreu e conseguiu a liminar de ontem, em segunda instância. O mérito da decisão ainda será analisada pelo Tribunal. A Odebrecht deverá recorrer. 

Procurados, Itaú e Odebrecht não quiseram comentar o assunto.

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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