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Conab: safra 2018/19 deve ser recorde, com alta de 5,7%

Publicado em: 11/07/2019 09:59

Reprodução/Pixabay
A produção brasileira de grãos deve atingir 240,65 milhões de toneladas, mais um recorde da série histórica. O crescimento deverá ser de 5,7% ou 13 milhões de toneladas acima da safra 2017/18. A área plantada está prevista em 62,9 milhões de hectares, o que representa um aumento de 1,9% em relação à safra anterior. As informações fazem parte do 10º Levantamento da safra de Grãos 2018/19, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quinta-feira, 11.

Conforme a Conab, "um dos maiores destaques do período, em comparação com a safra anterior 2017/18, é o milho segunda safra", com previsão de produção recorde de 72,4 milhões de toneladas, crescimento de 34,2%. Já o milho primeira safra deve ficar em 26,2 milhões de toneladas, ou seja, queda de 2,5%. Com isso, a safra total de milho em 2018/19 deve alcançar 98,50 milhões de toneladas (aumento de 22% sobre o período anterior, que foi de 80,71 milhões de toneladas).

Outro destaque é o algodão, com aumento de produção da ordem de 32,9%. Isso equivale ao volume de 6,7 milhões de algodão em caroço ou 2,68 milhões de algodão em pluma (2 milhões de toneladas em 2017/18). 

No caso da soja, a previsão da Conab indica uma redução de 3,6% na produção, atingindo 115 milhões de toneladas. As regiões Centro-Oeste e Sul representam mais de 78% dessa produção.

O arroz tem produção estimada em 10,4 milhões de toneladas, 13 6% menor que a obtida em 2017/18 (12,06 milhões de toneladas), em virtude das reduções ocorridas nos principais Estados produtores. 

Já o feijão primeira safra também apresentou uma redução (22,5%) ficando em 996,9 mil toneladas. O clima favorável contribuiu para uma produção de 1,3 milhão de toneladas do feijão segunda safra, 7,1% acima da anterior. E a terceira safra, com plantio finalizado em meados de julho, deve ter produção de 721,5 mil toneladas, 17,5% superior ao volume já produzido em 2017/18. Com isso, a produção total de feijão em 2018/19 deve atingir 3,02 milhões de toneladas queda de 3,1% ante a safra anterior (3,11 milhões de toneladas).

Os produtos com maiores aumentos de área plantada foram o milho segunda safra (819,2 mil hectares-ha), soja (717,4 mil ha) e algodão (425,5 mil ha). A soja apresentou um crescimento de 2% na área de plantio, chegando a 35,9 milhões de hectares.

Com relação às culturas de inverno, a Conab informa que, com uma área estimada em 1,99 milhão de hectares, 2,4% menor que a área plantada em 2018, a produção de trigo deve ser de 5,5 milhões de toneladas, representando aumento de 1,1% ante o ano passado (5 43 milhões de toneladas). As demais culturas de inverno (aveia, canola, centeio, cevada e triticale) apresentam um leve aumento na área cultivada, passando de 546,5 mil hectares para 552,2 mil hectares. "As condições climáticas vêm favorecendo as lavouras", conclui a Conab.
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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