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Notícia de Economia

JUROS

Ilan Goldfajn: é preciso cautela para baixar mais os juros

Por: AE

Publicado em: 14/02/2019 10:24

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Prestes a deixar a presidência do Banco Central, Ilan Goldfajn prega "cautela" nas próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão que reúne a diretoria do BC para decidir os rumos da Selic, a taxa básica de juros. A principal preocupação é o desequilíbrio das contas públicas, diante da indefinição da aprovação das reformas. 

Hoje, com os índices de inflação sob controle e a atividade econômica em recuperação ainda lenta, uma parcela dos investidores vem flertando com a possibilidade de o BC promover novos cortes da Selic, para abaixo dos 6,5%. 

O BC quebrou o ciclo histórico de juros elevados? Os juros mais baixos vieram para ficar?
A primeira observação é a de que o BC precisa se concentrar em medidas sustentáveis. Quando falamos em administração de riscos, temos de saber que o BC atua para que as mudanças sejam sustentáveis, e não efêmeras. Ter uma inflação baixa para vários anos é uma conquista da sociedade. Isso não significa que essa conquista ocorreu, mas sim que ela tem de ser administrada o tempo todo. O BC tem muito a fazer ainda. Não apenas o BC, mas o governo e a sociedade como um todo. Nós concordamos hoje que a continuidade das reformas e dos ajustes é o principal para manter a inflação baixa, o juro estrutural baixo e ajudar na recuperação da economia.
Muitos analistas dizem que o senhor foi ajudado pelo período de recessão grande no Brasil.
Em 2016, quando assumimos, o PIB estava caindo 3% e a inflação estava em 10%. Infelizmente, na história brasileira, recessões não são necessariamente acompanhadas de inflação baixa. Temos hoje uma alta ociosidade, tanto do capital quanto no emprego, e isso gera uma pressão de inflação menor. Mas isso tem de ser combinado com a credibilidade de que a inflação ficará baixa. Senão, os reajustes de preços são preventivos, automáticos.

Mas a recessão ajudou?
A recessão não é tudo. O componente importante é o fato de você permitir que as forças de demanda e oferta se materializem. Para isso, é preciso que haja a percepção de que temos certa estabilidade. No Brasil, já tivemos muitos momentos de ociosidade de fatores, mas com inflação. A ociosidade não é o fator central. Ela contribui, porque quando você tem demanda menor, obviamente gera pressão menor. Em nossos documentos, um dos riscos que colocamos é que a ociosidade, talvez, influencie mais. Há outros dois: o de reformas e ajustes, que têm de ocorrer, e o cenário internacional. Nesta última reunião do Copom, falamos bastante do cenário externo. Há uma percepção de que talvez haja desaceleração global mais à frente. E isso muda a percepção de política monetária e tem influência no curto prazo sobre o Brasil.

Sem as reformas fiscais, chegamos no limite de queda da Selic?
Não falaria isso. Eu diria que, com o desafio fiscal relevante que a gente tem pela frente (a Selic), estando hoje nas mínimas históricas, testar novas mínimas históricas, precisa ser feito com certa cautela. 

Como o senhor vê a situação fiscal do País hoje?
Para manter a inflação baixa e juros estruturais baixos, permitindo crescimento sustentável, precisamos de contas públicas em ordem. Nós ainda estamos no processo de ajustar as contas públicas.

Como explicar que hoje temos o menor juros da história, sendo que o fiscal está desequilibrado?
Isso ocorre porque estamos em período de inflação baixa. E você pode explicar a inflação baixa pela ociosidade dos fatores e pelo fato de termos administrado o risco de tal forma que, hoje, o BC fará o que precisar ser feito para manter essa inflação baixa no médio e longo prazos. Agora, não há mágica. No médio e longo prazos, a política monetária não consegue manter a inflação baixa se não tivermos reformas. 
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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