Frevoonline Professor cria projeto para ensinar frevo nas redes sociais

Por: Samuel Calado - Redes Sociais e Site

Publicado em: 19/09/2019 21:30 Atualizado em: 20/09/2019 15:03

Foto: Laís Viégas/Divulgação
Foto: Laís Viégas/Divulgação

O frevo é um dos principais ritmos da cultura popular pernambucana e o primeiro que vem à mente das pessoas quando o assunto é folia. Surgido no fim do século XIX e com raíz na capoeira, a dança frenética embala e eterniza grandes carnavais. O “bicho” chama atenção de qualquer um! É tesoura para cá, rojão para lá, tramela, grilo e outros movimentos na infinitude de passos que são conduzidos com bastante precisão pelos foliões. Aqueles que não sabem dançar, acabam entrando na fuzarca, é inevitável, basta apontar os dois dedos indicadores para o alto e seguir no ritmo. Mas e os que desejam aprender e por muitas vezes não encontram tempo e nem lugar para fazer as aulas? 

Foto: Bel Araújo/Divulgação
Foto: Bel Araújo/Divulgação

Pensando nisso, o professor Júnior Viégas, um dos mais conceituados no quesito frevo pernambucano, criou o projeto @frevoonline, que leva para as plataformas digitais Instagram e Youtube um curso gratuito ensinando a dançar o ritmo que é Patrimônio Imaterial da Humanidade. A iniciativa teve início no mês de janeiro deste ano com o objetivo de difundir e valorizar ainda mais a dança, como conta o bailarino: “A minha intenção é possibilitar que a população do mundo inteiro tenha acesso à nossa arte, que é o maior valor histórico e cultural do nosso estado”. Entre uma publicação e outra, o profissional vai ensinando a fazer os passos básicos, intermediários e avançados. Tudo de forma bem didática e simplificada. 

Foto: Bel Araújo/Divulgação
Foto: Bel Araújo/Divulgação

O projeto foi uma “mão na roda” para muita gente. Principalmente aqueles que moram em outro estado e não tem onde fazer as aulas presenciais. A alagoana Mariana Santos, é uma prova viva disso. Ela que mora em Maceió e conta que sempre quis aprender a dançar, mas pela distância, não podia. “Sempre fui admiradora do frevo e achei o projeto maravilhoso e para ter aula presencial era muito complicado. Agora, quando tenho tempo, geralmente quando chego do trabalho, ou nos finais de semana, eu coloco para reproduzir no computador e fico treinando na sala de casa. O bom é que se eu tiver alguma dificuldade, posso pausar e voltar quantas vezes quiser. Até agora tô no primeiro módulo, mas já aprendi um monte de coisa”. 

Foto: Bel Araújo/Divulgação
Foto: Bel Araújo/Divulgação

Até o final do ano, o professor pretende ensinar gratuitamente 100 passos de frevo. Tudo bem explicadinho e dividido em 10 módulos. Neste momento, ele já está no quarto. “O bom é que o material fica salvo na linha do tempo. Então, se pessoa começar a assistir hoje, consegue acompanhar tudo sem problemas. Além das aulas práticas, o professor também publica alguns conteúdos teóricos, como por exemplo o “Você sabia”, que traz informações didáticas sobre o frevo dança e música. “Eu tenho uma média de três séries que estão guardadas e serão disponibilizadas futuramente. Ainda não coloquei porque ainda não estão prontas”. 

Sobre o retorno, o educador revela que existe uma interação muito grande nas redes. “As pessoas geralmente perguntam onde tem um curso presencial mais próximo, qual é o sapato mais indicado para a dança e até dicas de encontros e festas que reúnem os bailarinos. Eu acho maravilhoso e só fortalece a nossa cultura”. 

Compromisso com a cultura
Desde 2001, Júnior Viégas vem defendendo o frevo no Brasil e também no exterior. A preocupação dele sempre em trabalhar a valorização da identidade cultural. O rapaz coleciona grandes prêmios junto à escola de frevo, como por exemplo o de segunda melhor Cia de Dança do Mundo, ocorrido no ano de 2006, nos Estados Unidos. Ele se apresentou na solenidade do prêmio de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade dado pela Unesco, em 2012, na França. Além da escola, ele também ensina no Museu Paço do Frevo e dirige um estúdio de dança composto por ex-alunos. 



Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.