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Pedagogia urbana e cidadania ativa

Publicado em: 29/04/2019 10:55

Foto: Anderson Freire/Esp.DP
As cidades como um instrumento de pedagogia urbana e cidadania ativa. É uma tendência mundo afora e que não tem mais volta. O Recife começa a se destacar internacionalmente porque compreendeu isso há 3 anos. Quando o Prefeito Geraldo Julio lançou o programa Mais Vida nos Morros e hoje consolida ainda mais iniciativas que o protagonismo do cidadão. Adultos e crianças.

Participando das decisões, se engajando na transformação da sua comunidade, colocando a mão na massa e aprendendo na prática ajudar a cuidar muito mais dela.

E esse protagonismo é inspirador. Quero dizer, os moradores não só cuidam mais da sua comunidade como também inspiram moradores de outras comunidades a fazerem o mesmo. Sempre acreditei que cidadania não se exerce com o voto e o recifense está cada vez mais aprendendo e ensinando isso. E isso pode ser desde pequeno. Não existe idade para exercer cidadania e para cuidar da sua cidade.

Por isso ainda mais inspirador é a participação das crianças.

A rua, a calçada de casa, aquele bequinho apertado, ou até mesmo a escadaria de uma comunidade passa a ser quase que uma extensão da escola, como na rua vitoriana em Beberibe ou no Jardim Vasco da Gama.

Aliás, contribuem decisivamente no desenvolvimento infantil. É sobre pensar e redesenhar o espaço urbano, a cidade, a comunidade deles sob a perspectiva deles. Sob a perspectiva de uma criança de 95 cm. Cada intervenção, cada brincadeira ou joguinho desenhados e pintados nas paredes, no meio do chão mesmo, cada detalhe, cada estímulo, ajuda diretamente a desenvolver a criatividade, a autoconfiança ou até mesmo sua capacidade de aprendizado.

Mas também é sobre exercitar a capacidade de sonhar. De imaginar, de criar e de transformar sua realidade.

Não é só ajudar a escolher os elementos de uma arte urbana a ser desenhada numa barreira ou que se espalha pela comunidade. É escolher a brincadeira, o jogo que vai ser feito, e o lugar que vai ser feito. Geralmente onde eles mais gostam de brincar.

Em sítio São Brás, crianças e seus professores começam a visitar um lugar onde era lixão e hoje é uma linda horta comunitária, para ter aulas práticas sobre a importância de uma alimentação mais saudável, compostagem do lixo orgânico e como fazer uma linda Horta, no quintal da sua casa mesmo. Essas crianças elas certamente ensinam aos seus pais, a partir do exemplo.

É muito interessante como o envolvimento direto das crianças ajuda ainda mais a unir a comunidade, aproximar as famílias uma das outras, mas prin- cipalmente trazer os pais e as mães para a vida em comunidade, acompanhando seus filhos brincar em frente de casa. É o brincar na rua como uma estratégia não só de desenvolvimento infantil, mas de segurança urbana, de fortalecimento do senso de comunidade.

A gente quer estimular ainda mais esse movimento de pedagogia urbana. Queremos multiplicar isso. Não só em parceria com a rede pública de ensino como também com a rede particular. Nosso principal ativo enquanto cidade sem dúvida é a nossa gente. E investir nas nossas crianças, nos nossos jovens, dialogar com a nossa estratégia de cidade é a melhor maneira de anteciparmos o futuro.

* Secretário Executivo de Inovação Urbana da Prefeitura do Recife e idealizador do Programa Mais Vida nos Morros.
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