CONJUNTURA

Número de empregos com carteira assinada tem terceira alta, diz Caged

Publicado em: 29/07/2022 08:22

 (Foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
Foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press
A economia brasileira criou 277.944 empregos com carteira assinada no mês de junho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). De acordo com o balanço divulgado pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, este é o terceiro mês consecutivo de alta no saldo da geração de empregos, o resultado decorreu de 1.898.876 admissões e 1.620.932 demissões. O saldo do último mês é menor do que o do mesmo período do ano passado, quando houve abertura de 317,8 mil vagas com carteira assinada.

As 27 Unidades da Federação obtiveram resultado positivo. O melhor desempenho foi novamente registrado em São Paulo, com a abertura de 80.267 postos de trabalho. Já o menor saldo foi o de Roraima, que registrou a criação de 529 vagas em junho.

Segundo Rodolpho Tobler, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre FGV), o saldo positivo sugere que o mercado tem agido positivamente para uma melhora da economia neste primeiro semestre. "Nesses últimos meses a economia também tem dado resultados positivos, um pouquinho melhor do que o esperado, e com isso o mercado de trabalho tem reagido", comenta.

Todos os setores tiveram saldo positivo no último mês, mas a abertura líquida de trabalho com carteira assinada foi puxada novamente pelo desempenho do setor de serviços, com a criação de 124.534 postos formais, seguido pelo comércio, que abriu 47.176 vagas. A construção civil, por sua vez, gerou 30.257 vagas em junho, ante um saldo de 41.517 contratações na indústria geral. Já a agropecuária, contabilizou 34.460 vagas no mês.

Rayane Lima, de 20 anos, conseguiu emprego no último mês. A jovem trabalhava como vendedora informal em Brasília, mas encontrou, no Ceará, um trabalho com carteira assinada. Ela agora é auxiliar de laboratório hospitalar em Jaguaribe (CE), a 300 km de Fortaleza. Está satisfeita com o emprego, mas reclama da inflação que corrói o seu poder de compra. "O dinheiro está perdendo valor", queixa-se.

 (Arte: pri-2907-emprego/CB)
Arte: pri-2907-emprego/CB
 
 
Salário médio defasado
 
Em junho, o salário médio de admissão foi de R$ 1.922,77, um acréscimo real de R$ 12,99 quando comparado ao mês de maio, ganho de 0,68%. Apesar da variação positiva, o valor ainda é menor que no início do ano, quando em janeiro o valor médio era R$ 2.006,15.

O valor do salário não tem sido suficiente para cobrir os gastos básicos de milhares de famílias. Shaiane Peres, 20 anos, mora em Santa Maria e cursa o quarto semestre de jornalismo. Ela estava empregada no atendimento a passageiros da linha de ônibus da cidade. À época, seu salário de entrada ajudava com despesas diárias, mas ainda era insuficiente, por isso contava com ajuda financeira familiar.

"Se eu pagasse minha faculdade sozinha, pesaria. Não teria dinheiro. Se pagasse mais contas, se dependessem de mim seria pouco o salário", conta Shaiane. Agora ela está em busca de uma vaga com remuneração melhor, na sua área.

No primeiro semestre deste ano, o saldo do Caged é positivo em 1,3 milhão de vagas, um recuo na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram criadas 1,4 milhão de vagas. O secretário do Trabalho Previdência, Mauro Rodrigues, explicou a queda em relação a 2021. "No mesmo período do ano anterior, nós estávamos tendo uma retomada por conta da pandemia, então são períodos atípicos que fogem um pouco da curva", afirmou.

O economista do Ibre avalia que a tendência de melhora no mercado de trabalho deve se manter a curto prazo, mas é improvável que tenha continuidade. "Não dá para a gente afirmar que o Brasil encontrou o caminho para o emprego, porque o mercado de trabalho reage muito de acordo com a atividade econômica. Houve uma melhora da atividade no início do ano, mas também com alguns estímulos do governo. É um resultado positivo, mas não dá para garantir que isso vai se manter por um longo período, nesse ritmo de recuperação", destaca Tobler.

"A gente ainda vive um ambiente macroeconômico negativo, com juros altos, inflação elevada e consumidor com confiança baixa. Isso faz com que, a médio e longo prazo, quando passar o efeito desses estímulos, a gente volte a ter uma atividade econômica mais fraca, e com isso o mercado de trabalho pode perder um pouco de força", prevê.
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