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Notícia de Brasil

MULHER NA POLÍTICA

Mais da metade das mulheres já sofreu violência política, revela pesquisa

Publicado em: 25/11/2021 12:34

Pelo menos 51% das mulheres já sofreram algum tipo de violência política, revela o resultado parcial da pesquisa Políticas de Saia, que está mapeando a violência política no país. Os dados da análise foram divulgados, nesta quinta-feira (25/11), mesma data que é celebrado o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher, pelo Instituto Justiça de Saia e o projeto Justiceiras. O levantamento inédito ainda evidenciou o grande desafio para inserção de mulheres na política. De todas as participantes da pesquisa, menos de 20% já se candidataram a algum cargo e mais de 80% delas não foram eleitas. Além disso, as mulheres apontam a falta de apoio dentro dos partidos políticos para que elas possam participar do processo eleitoral.

Desde que a pesquisa teve início, mais de 1.200 mulheres responderam ao questionário. A pesquisa continuará aberta até outubro para o recolhimento de mais dados. De acordo com a promotora de justiça e presidente do Instituto Justiça de Saia, Gabriela Manssur, os dados revelados não foram nenhuma surpresa, só refletem o que já é sabido, porém, são importantes para a cobrança de políticas públicas que possam mudar este cenário. "Esses resultados já eram esperados, eu só queria colocar no papel. Quando você fala e não apresenta dados você não consegue o impacto necessário. Esses dados são necessários para que nós possamos pleitear a quem nós temos que bater nas portas: sem dúvida nenhuma, os líderes de partidos que precisam se comprometer", destaca.

Faltando menos de um ano para as próximas eleições, hoje, somente cerca de 14% dos parlamentares são mulheres. Nos 26 estados e DF, somente há uma governadora. Em 2020, pelo menos 900 municípios não elegeram nenhuma vereadora e não há sequer uma pré-candidatura feminina anunciada ainda para a Presidência da República. De acordo com a União Interparlamentar (UIP), dentre 192 países, o Brasil aparece na 142° colocação do ranking de participação de mulheres na política nacional.

Violência política
De acordo com a pesquisa, mais da metade das mulheres já foram vítimas de preconceito ou discriminação no ambiente político. Entre as violências relatadas estão ofensas morais e xingamentos, exclusão de algum espaço público, ameaça, ataque sexual, fake news, agressão física e invasão de redes sociais. Ao todo, 41% das participantes relataram que já foram interrompidas em sua fala. Um exemplo claro de casos omo esse foi durante a CPI da Covid. Em maio, a senadora Leila Barros (PSB-DF) foi interrompida várias vezes pelo senador governista Marcos Rogério (DEM-RO) e ainda foi chamada de "nervosa". Já a senadora Simone Tebet (MDB-MS) foi interrompida várias vezes pelo ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, durante o depoimento dele, e chamada de "descontrolada" pelo ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário 

Este ano, a violência política contra a mulher foi normatizada pela Lei nº 14.192, que passou a considerar a questão como crime eleitoral. Apesar disso, as denúncias ainda são poucas, quase todas não chegaram a reportar a violência às autoridades competentes. Entre os motivos, estão a falta de confiança na Justiça e o não conhecimento de canais de denúncias.

Gabriela ressalta que, por isso mesmo, a importância que casos de violência política sejam punidos, pois isso incentivará que as mulheres denunciem. Ela destaca o canal de denúncias do projeto Justiceiras e tentativa de criação de um ouvidoria de atendimento à mulher em todas os tribunais regionais eleitorais.

Lugar de mulher é na política
Segundo os dados, um dos grandes motivos que afastam as mulheres da política é a falta de apoio. Quase 90% declararam que nunca se candidataram por não terem suporte, por não se sentirem capazes, por falta de recursos e informações e por medo de perseguição. As que foram candidatas, relataram que não receberam nenhuma orientação do partido.
 
 (Foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
Foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press
 
Apesar da cota para candidatura das mulheres nos partidos, a participação feminina na política ainda é muito pequena. Para 95% das respondentes, não há mulheres suficientes na política e 89% não se sentem representadas por homens. Além disso, quase todas acreditam que mais mulheres na política impactam diretamente no desenvolvimento de políticas públicas para as pautas femininas. "A população feminina como um todo estão afastadas do sistema de política brasileira. As mulheres não são de direita nem de esquerda, não identificamos essa questão, e todas falaram da falta de apoio e incentivo. Não precisamos justificar porque temos que está lá, é o exercício de direito", afirma Gabriela. Mas ela ressalta a importância de mostrar os impactos positivos para toda a sociedade com a eleição de mais mulheres. "O que me incomoda muito são os homens decidindo sobre direitos das mulheres, como se eles soubessem o que é melhor para nós. Estando lá, a gente faz a diferença para a sociedade brasileira."

 (Foto: Política de saia)
Foto: Política de saia
Isso se reflete em alguns casos de sucesso pelo mundo. No curso da pandemia, países comandados por mulheres tiveram uma resposta melhor a situação de crise do que o resto do mundo. Já um estudo, publicado em 2018, apontou que países com mais mulheres no governo têm menos corrupção. 
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