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TRAGÉDIA

Incêndio no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, completa três anos; relembre

Publicado em: 02/09/2021 18:31 | Atualizado em: 02/09/2021 18:32

 (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Há três anos, um incêndio de grandes proporções tomava o Museu Nacional, em São Cristóvão (RJ). Era um domingo, por volta das 19h30 de 2 de setembro de 2018 e, durante a madrugada de segunda-feira (3), o Brasil viu uma parte da própria história queimar e se perder.

A maior parte dos 20 milhões de itens que o museu abrigava foi totalmente destruída. Nele, estava o mais antigo fóssil humano já encontrado no país, a Luzia; a coleção egípcia que começou a ser adquirida ainda por Dom Pedro I; a coleção de arte e artefatos greco-romanos da Imperatriz Teresa Cristina e coleções de paleontologia que incluam o fóssil de um dinossauro proveniente de Minas Gerais.

Um professor que trabalhava há 28 anos no Museu, Paulo Buckup, sabia do acervo precioso e, logo que soube do incêndio, foi até o local e chegou antes mesmo do resgate. Com ajuda de um técnico, ele não pensou duas vezes e entrou no prédio para salvar as amostras. Ele arrombou as portas para salvar parte do material insubstituível utilizado no Departamento de Vertebrados, que abrigava um dos seis programas de pós-graduação mantidos pelo Museu.

Apesar do esforço, só conseguiu salvar uma parte do acervo de dezenas de milhares de espécimes da fauna da América do Sul que o Museu abrigava.

Do lado de fora, e pelas horas seguintes, a luta era para conter o fogo e evitar mais destruição. Enquanto as chamas se tornavam cada vez mais intensas, agentes do Corpo de Bombeiros tiveram que solucionar outro problema: a falta de água em hidrantes do local. Por 40 minutos, o trabalho de contenção foi atrasado enquanto era esperada a chegada de caminhões-pipa. Foi preciso, inclusive, retirar água do lago que fica na Quinta da Boa Vista para ser utilizada no resgate.

Um ano depois, os restos do acervo ainda eram achados pelo local (Foto: Fernando Frazão/Agencia Brasil)
Um ano depois, os restos do acervo ainda eram achados pelo local (Foto: Fernando Frazão/Agencia Brasil)
Pesquisadores, historiadores e funcionários do Museu foram até o local em busca de auxiliar na contenção. Eles auxiliaram os bombeiros a guiar as chamas para longe da parte do prédio que abrigava produtos químicos. Quando o incêndio foi finalmente apagado, por volta das 3h da segunda (3/9), a equipe do Museu lamentou a destruição de 90% do acervo.

Falta de investimentos contribuiu para tragédia
Em 2020, a Polícia Federal encerrou as investigações sobre a tragédia e afirmou que o incêndio não foi criminoso. As chamas foram iniciadas a partir de um curto-circuito causado pelo superaquecimento em um aparelho de ar-condicionado. Acredita-se que o fato ocorreu por falta de manutenção adequada e de investimentos. A direção do museu tentou revitalizar o prédio a partir de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O contrato com a instituição foi assinado em junho de 2018, mas a verba não foi liberada.

O ano da tragédia também foi a data em que o museu celebrou dois séculos de conservação. Era não apenas um local de visitação, mas também um integrante do Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o que o tornou um museu universitário.

Bombeiros lutaram por horas seguidas para conter o fogo (Foto: Alexandre Brum)
Bombeiros lutaram por horas seguidas para conter o fogo (Foto: Alexandre Brum)
Depois do incêndio, a luta pela recuperação
Três anos depois, a UFRJ trabalha na restauração do local, mas a falta de apoio faz com que a recuperação do que não foi deteriorado pelo fogo seja a passos lentos. Uma arrecadação iniciada logo após do incêndio atingiu apenas 65% do valor necessário para a reforma. No entanto, a universidade planeja a abertura dos espaços externos do museu em 2022.

Hoje, a instituição lançou uma campanha para a recomposição do acervo da instituição. Até o momento, o museu recebeu diversas doações de artefatos únicos, como 27 peças greco-romanas do diplomata aposentado Fernando Cacciatore e uma coleção etnográfica indígena de Tonico Benites. Saiba mais aqui.
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