Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Digital Digital Digital Digital
Digital Digital Digital Digital
Notícia de Brasil

PESQUISA

Brasil gasta oito vezes menos com despesas médicas do que países desenvolvidos

Publicado em: 08/10/2020 09:33

 (Foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)
Foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press
Um cidadão com a saúde em dia significa maior capacidade para desenvolver seu papel na sociedade e fazer girar a economia. A longo prazo, também permite evitar gastos extensivos com tratamentos quando se prioriza o diagnóstico precoce, evitando complicações desnecessárias e garantindo qualidade de vida. Mesmo tendo um dos maiores sistemas de saúde universais, o Brasil peca no financiamento da área. Segundo cálculo do Conselho Federal de Medicina (CFM), são gastos, por dia, R$ 3,83 para cobrir as despesas médicas para cada habitante. Os investimentos são quase oito vezes menores do que os de países desenvolvidos.

Entre os países com sistema único de saúde, o Brasil tem financiamento aquém do que é praticado no mundo. Pelo relatório de Estatísticas Sanitárias 2020, da Organização Mundial da Saúde (OMS), é possível observar que, enquanto o país, em 2017, alcançava US$ 389 por pessoa, no Reino Unido, cujo sistema serve como referência às autoridades brasileiras, o investimento público per capita foi de US$ 3.064 por ano, 7,9 vezes superior ao montante nacional.

Em outras nações com sistema universal, segue a disparidade: a França gastou US$ 3.376 com saúde, em 2017, enquanto no Canadá foram investidos US$ 3.505 por pessoa, Espanha (US$ 1.770) e Argentina (US$ 959). Outra comparação que coloca o Brasil em desvantagem é o percentual do PIB (Produto Interno Bruto) gasto na área e que vem de verba pública. Nesse rol citado, apenas o governo federal brasileiro gasta menos de 50% com o financiamento, enquanto o restante é completado pelos serviços privados e compra direta de medicamentos, saindo do bolso das famílias brasileiras.

Dos 9,47% dos gastos em saúde comparados ao PIB, União, estados e municípios respondem por 41,9% do investimento em saúde no Brasil. No Reino Unido, fica em 9,63%. A grande diferença é que 79,4% da fonte são públicos e não privados. Na Argentina, que tem situação mais próxima à realidade econômica brasileira, o percentual de contribuição do Estado é de 72,4%.

“A proporção de outros países com a universalização é muito superior. Em relação ao PIB, está muito próximo de outros países. A rede privada no Brasil contribui com mais de 50% do valor, então, esses 42% de gastos públicos são infinitamente inferiores a vários outros países. Precisamos encontrar mecanismos para que nós cheguemos a maiores valores de contribuição do Estado, para melhor atender, assim, a demanda da população”, afirma Hideraldo Cabeça, primeiro secretário do CFM.

Para o vice-presidente da entidade, Donizetti Giamberardino, não há como mensurar um valor per capita ideal para cada habitante, mas uma forma de iniciar as melhorias é tentar se aproximar dos parâmetros internacionais. “De modo comparativo, podemos dizer que deveria ser semelhante, gastar pelo menos 70% com fontes públicas. No entanto, o valor isolado não é significativo. É preciso considerar um sistema integrado, organizado, com carreiras públicas para profissionais, com estímulo e financiamento com expoentes. Ter junto parâmetros de eficiência de gestão”, indica.

Pela lei, cada ente federativo deve investir percentuais mínimos dos recursos arrecadados com impostos e transferências constitucionais e legais. No caso dos estados e do Distrito Federal, este índice deve ser de, pelo menos, 12% do total de seus orçamentos. Já nos municípios, o valor de base corresponde a 15%, mesmo percentual estipulado para a União, com base na receita líquida e correções de inflação.

Justificativa
Do valor per capita gasto nas três esferas em 2019, R$ 581,83 foram destinados pela União, conforme informação do Ministério da Saúde. “Cabe ressaltar que as regras de financiamento da Saúde pela União até 2015 tinham como base a variação nominal do PIB e, posteriormente, pela Receita Corrente Líquida (EC 86/2015) e pela variação do IPCA (EC 95/2016). A variação do gasto em Saúde da União está relacionada aos regramentos citados”, disse a pasta, em nota, ao ser questionada pela reportagem sobre como pretende trabalhar para se aproximar dos patamares internacionais de financiamento público.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Rhaldney Santos entrevista Thiago Santos (UP)
Aprenda a treinar a mente com exercícios que previnem doenças e turbinam os neurônios
Enem para todos com professor Fernandinho Beltrão #Protocordados
Rhaldney Santos entrevista Dra Roseana Diniz
Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco