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'Explodiu na minha cara', conta mulher que teve carro atingido por avião

Publicado em: 21/10/2019 21:22 | Atualizado em: 21/10/2019 21:41

 A manicure Luciana Mota conta como sobreviveu depois de um avião de pequeno porte cair sobre seu carro e explodir, nesta segunda-feira, em Belo Horizonte (Foto: Reprodução/Youtube. )
A manicure Luciana Mota conta como sobreviveu depois de um avião de pequeno porte cair sobre seu carro e explodir, nesta segunda-feira, em Belo Horizonte (Foto: Reprodução/Youtube. )
Luciana Mota estava dentro de um dos três carros atingidos pelo avião de pequeno porte que caiu no Bairro Caiçara, noroeste de Belo Horizonte, na manhã desta segunda-feira (21/10). Apesar de a aeronave ter explodido diante dos seus olhos, a manicure de 37 anos não sofreu nenhum ferimento, fato que, até agora, ela não sabe explicar.

A moradora da capital mineira conta saiu da academia e entrou no carro, um Renault Logan. "Coloquei a chave na ignição e escutei um barulho. O carro ainda estava todo fechado, então escutei um barulho baixo. Eu achei até que fosse alguma batida de carro, alguma coisa assim. Eu levantei o olho e falei ‘um avião caiu de novo’. Aí ele explodiu na minha cara. Eu me abaixei e falei 'vou morrer queimada agora'", diz a manicure.

A reação rápida de Luciana certamente evitou que ela se ferisse. Mas foi seguida de momentos de pânico. Ela diz que chegou a esperar pela explosão do carro, certa de que morreria. "Deu aquela explosão, e eu dentro do carro. Eu olhei (e pensei): 'Bom, não morri ainda, vou sair correndo’. Tudo que passou na minha cabeça era que eu ia morrer queimada. Saí pelo banco do passageiro porque o meu lado já estava todo pegando fogo. A minha sensação é de que eu estava queimando. Pulei pro banco do passageiro, abri a porta, e saí correndo", relembra.

Encontro com os filhos
Ao perceber que estava viva e não tinha sido queimada, a sensação foi de alívio extremo. Chegar em casa e ver os dois filhos e o marido era tudo que passava pela cabeça da manicure, que é moradora do Caiçara e vive com medo dos aviões no Aeroporto Carlos Prates, de onde a aeronave decolou. Ela ainda foi hospitalizada antes de retornar ao lugar do desastre.

"Você quase vê o piloto dentro do avião. É tudo muito rápido. Moro no Caiçara minha vida inteira. Hoje penso que tive um livramento porque da minha casa eu via os aviões subindo. Eu tinha a sensação que uma hora eles iam entrar na varanda da minha casa", diz.

Ela é mais uma das moradoras a defender o encerramento das atividades no aeroporto vizinho ao bairro. "Já passou da hora de tirar esse campo de aviação. Nunca podia ter tido numa área residencial. Estão esperando cair em cima de um prédio e morrer quantas pessoas? Ou morrer alguém importante? É só o que tá faltando, porque morte a gente já tem aí sobrando. Um que morreu já era suficiente", completa.

Três mortos
O acidente deixou três pessoas mortas: um dos quatro ocupantes da aeronave e dois amigos que estavam em outro dos carros atingidos no meio da rua. Outras três pessoas foram internadas no Hospital João XXIII.

Boletim divulgado no começo da tarde pela Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) informou que o piloto, Allan Silva, 29 anos, teve o corpo quase todo queimado e encontra-se em estado gravíssimo.

Também na tarde desta segunda-feira, foram confirmados os nomes das vítimas:

Mortos
Pedro Antônio Barbosa, 54 anos (estava no carro).
Paulo Jorge de Almeida, 61 anos (estava no carro).
Hugo Fonseca da Silva, 38 anos (estava no avião).

Feridos
Allan Duarte de Jesus Silva, 29 anos (pilotava o avião).
Thiago Funghi Alberto Torres, 30 anos.
Srrael Campras dos Santos, 33 anos.
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