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CASAMENTO

Moradores de rua dispensam lua de mel por não ter onde deixar cachorrinha

Publicado em: 12/07/2019 16:38

Foto: Jair Amaral/EM
O casal de moradores de rua Selma Zenilda Maria de Jesus, de 42 anos, e João Ramalho de Souza, de 38, que disse 'sim' em cerimônia que parou a Avenida Olegário Maciel na manhã de ontem, foi presenteado com festa e lua de mel. No entanto, os dois agradeceram a gentileza da oferta das núpcias, mas não puderam aceitar. A recusa tem motivo nobre. Não querem deixar sozinha a cachorrinha de estimação. “Eles ganharam a lua de mel de um hotel, mas não quiseram, porque não teriam onde deixar a Lilica”, informou Fátima Gomes Pereira, supervisora de serviço especializado em abordagem social. Com vestidinho branco, Lilica foi a dama de honra do casamento.

A cerimônia foi promovida pela equipe do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) da Prefeitura de Belo Horizonte e contou com todos os elementos presentes nas festas mais requintadas: vestido de noiva, bolo, ornamentação, música ao vivo, álbum de casamento, caderno para os votos e os comes e bebes. O desejo da união, porém, partiu do casal. "Eles externaram o desejo de se casar. Fizemos a cerimônia para mostrar que, mesmo na rua, é possível se amar, encontrar a cara metade e seguir em frente", afirma a supervisora.

Com a mudança do status de relacionamento de Selma e João, os assistentes sociais esperam que o casal possa também encontrar um teto. O coordenador do Creas, Sérgio Riani, explica que o objetivo da ação é promover a saída deles das ruas de forma não compulsória. A equipe que faz a abordagem a moradores de rua já ofereceu a possibilidade de irem para um abrigo, mas, até então, a opção de Selma e João era seguir vivendo nas ruas. “Agora que terão uma vida a dois, quem sabe não aceitam a oferta de ir para um abrigo de família”, diz Fátima.
 


 
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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