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Brasil tem 3,8% da população em situação de pobreza multidimensional

Publicado em: 12/07/2019 09:46 | Atualizado em: 12/07/2019 10:34

Foto: Bernard Foubert/AFP (Foto: Bernard Foubert/AFP)
Foto: Bernard Foubert/AFP (Foto: Bernard Foubert/AFP)
Aproximadamente 21,3% da população se encontra em situação de pobreza multidimensional, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). 

De acordo como o Índice da Pobreza Multidimensional (IPM) divulgado nesta quinta-feira (10/7), 1,3 bilhão de pessoas estão classificadas nesta categoria,  sendo que mais de dois terços (886 milhões) vivem em países de renda média, como o Brasil, e 440 milhões em de baixa renda. Os dados, desenvolvidos em conjunto pela Pnud e pela Iniciativa de Desenvolvimento Humano e Pobreza de Oxford (OPHI), cobrem 76% da população global.

O relatório de 2019 também evidencia que as crianças sofrem mais intensamente com a pobreza do que os adultos, assim como estão mais sujeitas a privações em todos os indicadores do IPM. Segundo os dados, quase metade (663 milhões) dos 1,3 bilhão de pessoas multidimensionalmente pobres são crianças menores de 18 anos, e um terço são crianças menores de 10 anos.

“As crianças são o grupo mais vulnerável, porque os lugares mais pobres também são os que concentram uma maior fertilidade”, esclareceu a coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano da Pnud, Samantha Salve. Marcelo Neri, diretor da FGV Social, concorda, mas acrescenta que há outros fatores para a grande taxa de pobreza infantil. 

“Em qualquer lugar do mundo, crianças não votam, então, politicamente, não são o principal alvo de políticas públicas, que é um dos fatores levados em conta pela pobreza multidimensional”, afirmou.

Apesar de o relatório não apresentar dados específicos sobre a pobreza infantil por região, Neri acredita que a situação é ainda mais grave no Brasil. “Se você pegar o dado de 2017 da Pnad sobre pobreza de renda no Brasil, você vê que a taxa de pobreza entre crianças de 0 a 4 anos, por exemplo, é 6,5 vezes maior do que a pobreza de pessoas de 60 anos ou mais, então as crianças são o nosso bolsão de pobreza maior.”

Na opinião do diretor da FGV Social, isso é bastante preocupante, porque são as crianças que vão comandar o país no futuro. “Nos lugares em que essa pobreza é maior, se tem gastos maiores com o passado, com questões previdenciárias, que não alcançam as crianças, e poucos gastos com o futuro, com questões como educação e saneamento”, destacou.

No Brasil, 3,8% da população se encontra em situações de pobreza multidimensional, enquanto 6,2% correm o risco de chegar a esse nível. Além disso, 26,5% dos brasileiros vivem com menos de US$ 1,90 ao dia, e 0,9% se encontram em situação de pobreza extrema. Cabe ressaltar que os dados sobre o Brasil são os mesmos desde 2015, tendo em vista que a Pnud utiliza dados disponibilizados por cada país, e para 2019, não foram encontradas novos indicadores.

A privação de saúde, segundo o estudo, é o que mais caracteriza a pobreza multidimensional no Brasil, respondendo por 49,8% das pessoas pobres. A falta de nutrição adequada e a taxa de mortalidade infantil são fatores determinantes para a classificação.

O padrão de vida dos brasileiros, levando em conta fatores como o acesso à água potável, eletricidade, habitação e saneamento responde por 27,3% da pobreza multidimensional no país. E, 22,9% do índice decorre da privação de educação, verificada pela frequência escolar de crianças e pela quantidade de anos de escolaridade de membros das famílias brasileiras.

Definição
A pobreza multidimensional, diferente da pobreza calculada pela renda, usa como indicadores a saúde, educação e o padrão de vida da população. Aqueles que sofrem privações em pelo menos um desses três indicadores se enquadram na categoria de multidimensionalmente pobre.
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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