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Polícia prende integrantes de milícia no Rio de Janeiro

Publicado em: 31/05/2019 22:11

Foto: Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil (Foto: Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil)
Foto: Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil (Foto: Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil)
Oito pessoas foram presas na Operação “Entourage” realizada na manhã de hoje (31) por policiais da Delegacia de Homicídios da Capital com apoio do Ministério Público estadual e da Polícia Militar com a finalidade de desarticular uma das maiores milícias que age em vários bairros da zona oeste do Rio. Entre os presos, quatro são policiais militares. Outras nove pessoas que já estão custodiadas no sistema prisional do Estado também tiveram mandados de prisão cumpridos durante a ação.

A ação de hoje foi referente a dois inquéritos, sendo que um deles teve origem nas investigações dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 14 de março do ano passado. A organização criminosa, comandada por Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, é acusada de aterrorizar moradores e comerciantes das regiões de Curicica, Terreirão, Boiúna, Santa Maria, Lote 1000, Jordão e Teixeiras, nos bairros de Jacarepaguá e Recreio dos Bandeirantes. Eles também são acusados de vários homicídios. Orlando Curicica, na época um dos suspeitos da morte de Marielle e Anderson, foi apontado como responsável por vários crimes praticados por milicianos na zona oeste da cidade.

Atrapalhar as investigações

O nome de Orlando Curicica surgiu como suspeito da morte da vereadora Marielle Franco depois que o PM Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha, um dos presos na operação de hoje, apontou Curicica como mandante do crime da parlamentar. De acordo com as investigações, o depoimento de Ferreirinha à polícia foi uma tentativa de atrapalhar o andamento do processo. A Polícia Federal denunciou que a versão apresentada por Ferreirinha teve como finalidade desviar a atenção dos verdadeiros autores da morte da vereadora e do motorista Anderson Gomes.

De acordo com a polícia, a intenção de Ferreirinha era evitar que os investigadores chegassem aos nomes do sargento reformado da PM, Ronnie Lessa e do ex-PM, Élcio Queiróz. Os dois estão presos no presídio federal de Mosoró, no Rio Grande do Norte. Eles foram presos, um dia antes da morte da parlamentar e do motorista completar um ano. Ronnnie teria sido quem atirou nas vítimas e Élcio dirigido o carro Cobalt, usado no crime.

Já o delegado Daniel Rosa, titular da Delegacia de Homicídios da Capital, disse que Rafael Carvalho Guimarães e Eduardo Almeida Nunes Siqueira, também presos na ação de hoje, são investigados pela possível clonagem do carro Cobalt, usado no crime.

“Acreditamos que com a prisão dos dois, outros detalhes sobre o crime de Marielle e Anderson poderão ser esclarecidos. A função dos dois na quadrilha de Orlando Curicica era clonar carros para que a quadrilha pudesse se movimentar para praticar crimes sem chamar a atenção”, adiantou o policial, sem dar mais detalhes porque o caso está em segredo de justiça.

Crimes em série

Orlando Curicica foi preso no dia 27 de outubro de 2017, no condomínio em Vargem Pequena, zona oeste do Rio, durante operação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Ele está em um presídio federal em Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Segundo a denúncia do Ministério Público estadual, entre 2015 e até o final de 2017, na área de Jacarepaguá e Recreio dos Bandeirantes, os milicianos ligados à Orlando Curicica constituíram organização para a prática de crimes como extorsão a moradores, comerciantes e prestadores de serviços, em troca da oferta de segurança. Eles promoviam invasões de imóveis para futuras revendas, grilagem de terras, falsidade documental, comercialização de sinais clandestinos de internet, televisão a cabo e do comércio de gás e água, somando-se a isso a venda de munições e armas de fogo, cigarros falsificados, contrabando, clonagem e receptação de veículos, além de corrupção.

A denúncia do MP diz, ainda, que o grupo era conhecido pela extrema violência de seus atos e constituído sob a forma do que popularmente se chama “milícia”. Emprega diversos tipos de armas de fogo em sua atuação, bem como conta com a colaboração de funcionários públicos, mais especificamente policiais e bombeiros militares da ativa, que se aproveitam desta condição para práticas criminosas.
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